A Tabas – uma startup de aluguel de apartamentos de curto prazo que opera num modelo asset light – acaba de levantar R$ 80 milhões para quadruplicar seu portfólio até o final do ano, passando de 300 para 1.200 apartamentos.

A Tabas aluga os imóveis em contratos de seis anos, faz a reforma, coloca a mobília e depois os subloca em contratos que variam de um mês a um ano – ganhando no spread

O grande diferencial da startup é garantir que o imóvel terá uma qualidade padrão, além de permitir aluguéis mais curtos, o que é difícil de encontrar no mercado brasileiro, segundo os fundadores. 

A rodada de hoje foi metade em equity, metade em dívida. 

A parte em equity foi liderada pela Blueground, uma empresa americana que faz exatamente a mesma coisa que a Tabas na Europa e nos Estados Unidos – e é o principal benchmark da brasileira. 

Também participaram da rodada a Echo Capital, a gestora de Guilherme Weege, o controlador da Malwee; e Nelson Queiroz Tanure, filho do empresário Nelson Tanure.

A dívida foi levantada por meio da emissão de um CRI e vai ser usada basicamente para financiar as reformas e mobílias dos apartamentos. 

O cofundador Leonardo Morgatto disse ao Brazil Journal que o capital é suficiente para reformar entre 800 a 900 apartamentos.

O modelo ‘asset light’ da Tabas parece simples, mas é complexo de operar. 

Para ser economicamente viável, a startup precisa garantir uma alta ocupação dos imóveis depois que eles são alugados. Segundo Leonardo, a empresa precisa ter uma ocupação de pelo menos 70% para ser rentável. 

“No nosso bussiness plan a gente projetava que teríamos uma ocupação de 85%, mas no final estamos bem acima disso,” disse o fundador. “Fechamos o ano passado com 93%.” 

A Tabas foi fundada por Leonardo e pelo italiano Simone Surdi. Os dois se conheceram durante um MBA no Insead, na França, mas tiveram a ideia da Tabas quando estavam em Londres durante um summer job do MBA.

Os dois iam passar três meses na cidade e enfrentaram o mesmo problema: dificuldade para encontrar um imóvel para alugar por um curto período. Depois que acharam, ainda tiveram uma surpresa inesperada: o imóvel estava sujo e com a mobília velha.

Os aluguéis da Tabas são feitos tanto por sua plataforma própria, que já responde por 80% da receita, quanto por meio de marketplaces como o VivaReal, Zap e Airbnb.

A startup opera principalmente com apartamentos de dois quartos ou mais (focados para atender famílias). Os aluguéis variam de R$ 5.000/mês até R$ 40.000/mês.

Segundo Simone, a Tabas pretende reduzir a faixa inferior de preço, passando a oferecer apartamentos a partir de R$ 4.000. 

Outros planos: fazer parcerias com incorporadoras para alugar vários apartamentos de um mesmo empreendimento, e lançar uma operação de fintech.

A Tabas vai oferecer aos proprietários dos imóveis antecipar os recebíveis dos aluguéis. Na prática, ela vai pagar os seis anos de aluguel na cabeça, mas com desconto em cima do valor acordado.