A Avenia, uma startup pioneira no uso de stablecoin de real para transações internacionais, acaba de fechar uma captação de US$ 17 milhões para se consolidar como uma ponte entre as fintechs globais e o sistema financeiro brasileiro e de outros países da América Latina.
Liderada por dois engenheiros que se conheceram quando estudavam no ITA, a Avenia é a emissora da BRLA, a principal stablecoin lastreada em real, com o equivalente a US$ 7,5 milhões em circulação.
A rodada foi co-liderada pela Quona Capital e a Big Bets, com a participação de investidores como Headline, Fluent Ventures, Tomorrow Capital, Palm Drive Capital, Scale Up by Endeavor, Kazea, Pátria High Growth, Sequoia Scout Fund e Accel Scout Fund.
A injeção de caixa ocorre no momento em que acaba de entrar em vigor a regulamentação do BC para essa nova categoria de entidade do setor financeiro, o Prestador de Serviços de Ativos Virtuais (PSVA).
O BC decidiu elevar a barra e estipulou uma necessidade mínima de capital de R$ 24,3 milhões para as empresas que realizam intermediação financeira e custódia de criptoativos.

Com as notícias de fintechs do setor sendo usadas pelo crime organizado para lavagem de dinheiro, as novas normas trazem a promessa de uma fiscalização mais robusta. O valor ficou bem acima da expectativa inicial, de R$ 3 milhões.
Agora, com o mercado prestes a passar por uma depuração e consolidação, a Avenia vê isso como uma oportunidade.
“Muitos competidores não vão cumprir essa exigência e precisarão buscar parcerias com as empresas mais capitalizadas,” Matheus Moura, o cofundador e CEO da Avenia, disse ao Brazil Journal.
Usando blockchain, a plataforma permite a diferentes tipos de empresas criar produtos e serviços financeiros sem necessariamente possuir licenças específicas ou construir tudo do zero. No último ano, processou mais de US$ 1 bilhão.
A fintech surgiu logo após a Lei 14.478, de dezembro de 2020, o primeiro marco regulatório das fintechs de criptoativos. Mas seu grande salto de crescimento foi no ano passado, com o avanço da regulação nos EUA e na Europa dando mais segurança aos pagamentos cross-border por meio das stablecoins.
Moura e Leandro Noel, dois dos cinco fundadores, se conhecem há 14 anos, desde quando estudavam engenharia no ITA. Depois de formados foram para o mercado financeiro, passando por gestoras e empresas de private equity.
“Em 2021 vimos que a blockchain seria uma grande oportunidade,” disse Leandro, hoje o COO da empresa.
Inicialmente, começaram como uma gestora de cripto. Em 2023, devolveram o dinheiro aos clientes e fundaram a BRLA Digital – que no ano passado passou por um rebranding e virou Avenia. (A stablecoin continuou como BRLA.)
Eles criaram uma API que conecta o Pix e a BRLA com as principais stablecoins em dólar, USDC e USDTC.
Desde a fase pré-operacional, a fintech faz parte do programa de aceleração jurídica do Pinheiro Neto – um apoio tido pelos fundadores como essencial para o aprendizado da legislação e o cumprimento das regras de compliance.
A demanda dos clientes internacionais levou à expansão dos negócios para Argentina, Colômbia e México. “Com isso a gente viu que a oportunidade era mais ampla do que operar apenas no Brasil,” disse Matheus.
Há, por exemplo, fintechs de Singapura, México e Argentina com interesse em operar no Brasil e fazer pagamentos de advogados e fornecedores locais – ou, de maneira similar, há empresas brasileiras que contratam serviços no exterior.
Pelo SWIFT, uma mensagem de pagamento custa entre US$ 3 a US$ 5 – numa transação de US$ 30, perde-se pelo menos 10% de margem, inviabilizando as operações de baixo valor. Com a blockchain, o custo para 100 transações fica em apenas US$ 0,01.
“A gente funciona como um banking-as-a-service 2.0,” disse Leandro. “Criamos wallets que ficam depositadas nas stablecoins em reais, e o meu cliente consegue utilizar como infraestrutura de contas da plataforma dele para o Brasil.”
A startup está em sua terceira rodada. Captou US$ 700 mil em 2023, depois US$ 1,6 milhão em 2024 e, agora, os US$ 17 milhões – que serão investidos na expansão internacional e criação de novos produtos.
Hoje boa parte dos clientes são bancos digitais e fintechs de cripto, mas a empresa vê grandes chances de abocanhar uma fatia relevante no mercado tradicional de câmbio.
“Diversos bancos que hoje usam o SWIFT deverão se atualizar e começar a usar stablecoins,” disse Matheus. “Assim como corretoras e correspondentes de câmbio.”











