Stone e PagSeguro mergulharam na Bolsa mais uma vez, em meio a uma reprecificação dramática da tese de investimento em fintechs ao redor do mundo.

Em Nova York, a Square cai 7% no início da tarde, e na Índia, a Paytm, que fez seu IPO na quinta-feira, caiu 40% entre sexta-feira e hoje.

“O trade das fintechs de pagamento está morrendo,” um analista do setor disse ao Brazil Journal. “É o fim-tech.”

No Brasil, o Bradesco BBI cortou sua recomendação para as adquirentes brasileiras, e analistas do buyside disseram estar preocupados com uma potencial alta da inadimplência.

No início da tarde, a ação da Stone caía mais de 13% na Nasdaq, negociada a US$ 16,60, um novo all-time low. Já a PagSeguro perdia 7% para US$ 27,66 na NYSE. 

O Bradesco revisou para baixo as estimativas para o setor de adquirência e está recomendando aos clientes evitar exposição ao setor. 

Os analistas reduziram as recomendações para Stone e PagSeguro, e mantiveram o neutral para a Cielo, que é controlada por Bradesco e Banco do Brasil. 

Os analistas dizem que o ambiente de negócios será mais desafiador para essas empresas em 2022 por conta do cenário de alta dos juros, que encarece o funding, e da maior pressão nos custos operacionais, diante de mais necessidade de investimento e de novas estratégias comerciais. A Stone ainda tem o desafio de curto prazo de integrar a Linx; e a PagSeguro tem investido muito no PagBank, escreveram os analistas Otavio Tanganelli, Gustavo Schroden e Eric Ito. 

O Bradesco reduziu o preço-alvo da Stone de US$ 49 para US$ 17 e rebaixou a recomendação de neutral para underperform. A estimativa para o lucro da empresa em 2022 baixou 58% para R$ 745 milhões. 

A recomendação para PagSeguro saiu de outperform para neutral.  O preço-alvo saiu de US$ 63 para US$ 33, e a estimativa para o lucro em 2022 caiu 33% para R$ 1,66 bilhão. 

Já a recomendação para a Cielo foi mantida em neutral. Os analistas dizem que a empresa tem mostrado uma discreta melhoria operacional, embora observem que ela precisa ser mais sólida para que os investidores possam ficar mais confiantes na lucratividade da companhia. 

O preço-alvo de Cielo também foi reduzido de R$ 3,90 para R$ 3,  e a estimativa para o lucro em 2022 caiu 7% para R$ 827 milhões.

A ação da Cielo caía 0,91% para R$ 2,18 na B3 agora há pouco.