A Stone&Co desabou quase 20% depois de a empresa sinalizar um TPV (volume total processado) mais fraco no primeiro tri e um lucro abaixo do esperado pelo mercado para 2026 e 2027.
O volume negociado bateu 22 milhões de ações, contra uma média de 6 milhões nos últimos 30 dias.
No último tri de 2025, reportado hoje, o TPV ficou em R$ 151 bilhões, uma alta de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, e a Stone lucrou R$ 707 milhões, uma alta de 12% beneficiada por uma alíquota de imposto abaixo do habitual, segundo o JP Morgan.
Para um analista, um destaque negativo do resultado foi o crescimento zero de cartões no trimestre, enquanto o mercado cresceu 12%.
“A Stone subiu muito os preços e está tendo churn na base. É muito perigoso quando uma empresa está perdendo share rapidamente pois terá que cortar preço. Aí, quando você perde preço e volume o lucro despenca,” disse este analista.
Para um gestor, o mercado tinha uma expectativa maior para o crescimento de volumes este ano. Além disso, o guidance veio pior que o esperado, “refletindo essa perspectiva de volume mais fraco e de opex crescendo um pouco mais,” disse o gestor.
A Stone deu um guidance de lucro bruto ajustado entre R$ 6,6 bi e R$ 7 bi para 2026; e entre R$ 7,2 bilhões e R$ 8,3 bilhões para 2027.
Para o lucro por ação ajustado, a estimativa é entre R$ 10,8 bilhões e R$ 11,4 bilhões este ano e de R$ 11,8 bilhões a R$ 13,4 bilhões no ano que vem.
Considerando o ponto médio dos guidances, os analistas do UBS estimaram um lucro líquido ajustado de cerca de R$ 2,6 bilhões este ano – 3% abaixo do projetado pelo UBS e 5% inferior ao consenso.
Para 2027, o UBS agora estima um lucro de R$ 2,8 bilhões a R$ 2,9 bilhões – 9% inferior ao que o banco esperava e 11% abaixo do consenso.
O guidance da Stone levou em consideração o programa de recompra de R$ 2 bilhões anunciado pela empresa, mas não inclui a distribuição de capital referente à venda da Linx para a Totvs por R$ 3,1 bilhões.
O mercado esperava que a empresa detalhasse a distribuição de capital por conta da Linx, mas a companhia disse que só fará o anúncio em abril. “Com a ação nesse patamar, imagino que será mais recompra do que dividendos,” disse um analista que tem o papel.
Para este analista, a queda de hoje foi exagerada.
“No preço de hoje, a ação agora negocia a 4,8x lucro (ajustando no market cap os R$ 2 bilhões de recompra anunciados e a distribuição de R$ 3,1 bilhões da venda da Linx). Para que esse múltiplo reflita o preço justo da companhia, o lucro líquido teria de cair 18% ao ano nos próximos 10 anos,” ele disse. “Na cotação de hoje, o mercado está precificando uma perda colossal de market share. Não acho que isso vai acontecer. Se a Stone conseguir crescer o lucro em linha com a inflação nos próximos anos, o que é um cenário muito conservador, a ação deveria estar a 7x lucro.”
A Stone agora vale US$ 3,7 bilhões na Nasdaq.











