A Stefanini — uma das maiores consultorias de tecnologia do Brasil — acaba de anunciar a aquisição da Escala 24×7, uma empresa nos Estados Unidos focada na implementação de soluções de nuvem na AWS.
A transação vai adicionar US$ 100 milhões à receita da Stefanini, que fechou o ano passado com um top line de cerca de US$ 1,4 bilhão (R$ 8 bi no câmbio de hoje).
O valor da transação não foi revelado, mas o CEO Marco Stefanini disse ao Brazil Journal que essa é uma das cinco maiores aquisições da história da companhia.
Desde que foi fundada, em 1987, a Stefanini já fez mais de 40 aquisições — 13 delas nos últimos quatro anos.
A Stefanini está comprando 60% do capital do negócio e mantendo os dois fundadores — os venezuelanos Alejandro Planas e Enrique Camacho — com 40% e à frente da operação.
A compra inclui ainda um call que permite adquirir o restante do capital no futuro.
Fundada em 2013, a Escala é uma empresa de serviços de nuvem. Basicamente, ela ajuda os clientes a migrar seus dados de servidores privados para servidores na nuvem, e depois ajuda a fazer a gestão dessa plataforma, oferecendo também outras soluções, como a criação de data lakes e serviços de analytics.
Mas o grande ativo da Escala “é que eles são extremamente especialistas no ambiente AWS,” disse Marco. “A gente já presta esse serviço de migração para a nuvem e estamos bem avançados nisso, mas eles têm um nível de especialização em AWS e um nível de parceria com a AWS maior que o nosso.”
Marco explica que todas as empresas de nuvem separam seus parceiros em categorias — com base no engajamento e na especialização. A Escala está no nível mais alto de parceria com a AWS, conhecida como Premier Partner.
A Stefanini presta consultoria de tecnologia para grandes empresas — atuando no mesmo mercado de gigantes como a Globant e a brasileira CI&T, que vale US$ 760 milhões na Nasdaq — mas oferece um portfólio mais amplo que essas empresas, tendo debaixo de seu guarda-chuva uma empresa de software para o setor bancário (a Topaz) e uma vertical de soluções de marketing.
A companhia está em 46 países e o Brasil responde hoje por 40% da receita, com os 60% restantes vindo de mercados como os Estados Unidos, Europa e Ásia.
A Stefanini atende mais de 1,3 mil clientes e tem uma base muito pulverizada, com o maior cliente respondendo por cerca de 2% da receita.
Mas para chegar até aí, foi um longo caminho. Formado em geologia na USP, Marco só começou a se envolver com tecnologia quando passou num trainee do Bradesco, onde teve um curso de seis meses de análise de sistemas.
De lá, foi trabalhar na Engesa, uma empresa militar que fabricava veículos, saindo para fundar a Stefanini em 1987.
A companhia nasceu na casa de Marco e começou como uma empresa de treinamentos, que dava cursos de programação e tecnologia para os funcionários de grandes companhias. Dois anos depois, ele pivotou o negócio para o modelo de consultoria de TI.
A aquisição de hoje faz parte de uma estratégia mais ampla da Stefanini de crescer por meio de M&As nos próximos anos — algo que sempre fez parte da história da companhia.
Marco disse que a meta é investir R$ 2 bilhões em aquisições até 2027.
“Ano passado fizemos menos transações, mas para este ano temos a perspectiva de um ano muito forte,” disse o CEO. “Como não somos alavancados, esse cenário de juros altos não nos afeta muito, o que permite que a gente aumente o poder de fogo num momento em que o mercado está mais equilibrado do ponto de vista de preço.”
A Stefanini fechou o ano passado como uma posição de caixa líquido, e tem conseguido pagar todas as aquisições com a geração de caixa dos negócios.
O CEO disse que as aquisições da companhia seguem três perfis: acrescentar novos produtos para o portfólio; atender melhor uma determinada geografia; ou reforçar uma solução já existente (o caso da transação de hoje).
Ainda assim, ele diz que não descarta uma aquisição mais transformacional, que pudesse dar um salto relevante no tamanho da companhia.
“Somos uma empresa bastante cuidadosa com endividamento e temos um DNA de sermos mais cautelosos. Mas sempre existem oportunidades na mesa que a gente avalia. Tem uma empresa de um tamanho significativo, por exemplo, que temos conversado desde o ano passado,” disse ele. “E para uma operação dessas, sempre podemos fazer uma fusão.”