A SLC Agrícola procurou tranquilizar os investidores sobre a alta dos fertilizantes, dizendo que o impacto no seu negócio só deve ser sentido a partir da próxima safra. 

Numa conversa ontem com investidores, a SLC disse que já comprou 83% do potássio necessário e 50% dos fertilizantes totais para a safra 2022/2023. No quarto trimestre, a empresa estava preocupada com a oscilação de preços desses insumos e por isso antecipou compras e pagamentos de fornecedores, o que acabou levando a um consumo elevado de capital de giro. 

A preocupação atual da SLC é com os 50% de fertilizantes totais que ainda precisa comprar e, hoje, a companhia não tem nenhuma visibilidade sobre quanto vai ter de pagar por isso.

Mas a SLC disse que não espera que a guerra dure um ano, e que historicamente os preços de fertilizantes não ficam em patamares altos por muito tempo. Além disso, não só os custos, mas também os preços deverão estar maiores em 2023. 

A safra 2021/22 já está em época de colheita e os custos estão sob controle – como os preços subiram, a expectativa da empresa é de alcançar este ano margens similares ou acima das de 2021. 

Para a próxima safra, a preocupação maior da empresa é com o abastecimento de nitrogênio – a Rússia e a Bielorrússia representam 10% do suprimento mundial. Esse nutriente não é armazenado pelo solo, e a empresa não pode, por exemplo, pensar em reduzir a quantidade do produto que aplica. 

A SLC, segundo analistas, também deverá diversificar seu negócio no curto prazo entrando no mercado de frutas – possivelmente com uma operação no Estado de São Paulo voltada para exportação. 

A companhia vem diversificando o seu negócio porque não quer ficar tão dependente de soja, milho e algodão, nem da geografia do cerrado. Por conta dessa estratégia, a SLC intensificou a integração entre a lavoura e pecuária – hoje já tem perto de 30 mil cabeças de gado – e também o negócio de sementes. 

Nos últimos anos, a SLC adotou uma estratégia “asset light” e  chegou ao fim do ano passado com dois terços de terras arrendadas e um terço de terras próprias. 

Ao apostar  neste modelo, a empresa só arrenda terras de alta produtividade – as menos afetadas em períodos de problemas climáticos. 

Em 2021, a receita líquida da SLC subiu 24,5% para R$ 4,4 bilhões, o EBITDA ajustado avançou 57% para R$ 1,68 bilhão, com a margem EBITDA subindo 8 pontos para 39,6%. O lucro líquido foi recorde: alta de 153% para R$ 1,13 bilhão.

A empresa vale R$ 10,5 bilhões na Bolsa. A ação negocia pouco acima de R$ 48, perto da máxima histórica de R$ 54 atingida 10 dias atrás.

No BTG, o analista Thiago Duarte vê a empresa negociando a 5,8x EV/EBITDA pelos próximos 3 anos (dado que o EBITDA deve ficar estável nos próximos anos), abaixo da média histórica de cerca de 7,5x, apesar do ROIC de 2021 (32,5%) ter sido 4x acima da média histórica (dado o maior uso de terras arrendadas no mix e a alta dos preços).