A Shell está vendendo 20% do Projeto Orca, no pré-sal da Bacia de Santos, antes chamado Gato do Mato, a um grupo do Kuwait, que estreia no Brasil com a transação.
O valor do negócio não foi revelado.
A transação é vista no mercado como um movimento estratégico da Shell para reduzir gastos com um ativo considerado menos atraente, enquanto mantém o foco em campos chave, como o de Mero.
A Shell seguirá como operadora do Orca, com 50%. A Kuwait Foreign Petroleum Exploration Company (KUFPEC) passará a ser sócia junto com a Ecopetrol, que tem 30%, e a estatal PPSA, gestora do contrato.
A transação vem menos de um ano após a Shell ter adquirido a fatia da TotalEnergies no projeto, em junho de 2025. Ao tomar a decisão final de investimento, a Shell projetou que o campo estaria operacional em 2029, com um navio-plataforma com capacidade de até 120 mil barris por dia.
A Shell buscava parceiros desde a saída da TotalEnergies para dividir investimentos na fase de maior capex, uma vez que o projeto não é visto como tão atrativo na comparação com outros do grupo, disse o sócio da consultoria MA2 Energy, Marcelo de Assis, ao Brazil Journal.
“É pequeno comparado com outros do pré-sal, e é um campo mais de gás/condensado do que petróleo”.
Num primeiro momento, o gás precisaria ser reinjetado, o que aumenta custos, embora ajude na extração de petróleo.
Para enviar o gás à costa, seria necessário investimento adicional num gasoduto, algo que a Shell citou como “uma possibilidade futura” ao anunciar o projeto antes.
O Governo tem pressionado as empresas a investir mais no escoamento do gás ao invés de reinjetá-lo nos campos, uma conta que nem sempre fecha.
Agora, ao anunciar a venda de fatia à KUFPEC, a Shell disse que “o acordo reforça a alocação disciplinada de capital” em seu portfólio global. O fechamento da transação deve acontecer até o final do ano.
Por ser um ativo já descoberto, de baixo risco e com início de produção definido, o Projeto Orca é “uma oportunidade para a KUFPEC entrar no pré-sal com segurança,” disse o ex-diretor da ANP, Felipe Khury.
“Já para a Shell, a entrada do investidor novo libera capital para outros projetos como Mero, Saturno, e até para outros leilões. É um movimento estratégico, na minha opinião.”
A Shell tem 19,3% no campo unitizado de Mero, operado pela Petrobras, que já conta com cinco FPSOs em operação. O campo produziu 890 mil barris de óleo equivalente por dia em dezembro de 2025.
Maior produtora de petróleo e gás do Brasil depois da Petrobras, a Shell extraiu 548,4 mil barris de óleo equivalente por dia, segundo dados da ANP. A título de comparação, a Prio, principal player local privado, produziu 155 mil boepd.











