O pastifício Selmi – dono das marcas Renata e Galo, de macarrão, farinha e biscoitos – está levantando R$ 200 milhões em uma oferta pública de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) com vencimento em seis anos. 

O bookbuilding teve demanda de 2x a oferta, o que fechou bastante o spread: a taxa-teto era de 175 pontos-base sobre NTN-B, mas o papel acabou saindo a 95 pontos-base, segundo informações de mercado.  

A liquidação está marcada para o dia 14 de março.

O price talk inicial era equivalente a IPC-A + 7,15%, o que acabou chamando a atenção do investidor pessoa física, que se beneficia da isenção fiscal nos CRAs. No final, a operação foi colocada a IPC-A + 6,30%, uma taxa ainda atrativa para esse investidor. 

Os coordenadores foram Itaú BBA (líder) e Santander; a securitizadora é a True.

Fontes que acompanharam a operação disseram que ela se beneficiou do tamanho relativamente pequeno e da “janela livre” – havia poucas ofertas concorrendo com a Selmi.  

Outro aspecto que acabou contando a favor da empresa foi o brand recognition da marca Renata. A Selmi vai usar os recursos para comprar produtos de seus fornecedores rurais. 

A boa recepção ao papel abre caminho para a Selmi continuar acessando o mercado local na medida em que precisar de recursos. A empresa já tinha feito um CRA com esforços restritos de colocação de R$ 150 milhões em 2018 – esse papel vence em setembro. 

A Selmi foi fundada em 1956 pela família de mesmo nome, que se mantém no controle. A empresa tem sede em Sumaré, no interior de São Paulo, e operações no Sul. A empresa está construindo um moinho em Rolândia, no Paraná, que já consumiu R$ 80 milhões em investimentos. 

A empresa espera que o moinho traga ganhos de margem por conta da verticalização de sua produção e também contribua para reduzir custos via otimização da compra do trigo nos períodos de safra, além de ganhos de competitividade e garantia de qualidade e padronização da matéria- prima. 

O CEO da Selmi, Ricardo Oliveira Selmi, trabalha na empresa há 33 anos. Já o CFO Ricardo Bizigatto está na Selmi desde 2016, e antes teve passagens pela Construtora Ferreira, Sementes Selecta e Brenco.

No primeiro semestre de 2021, a Selmi teve receita de R$ 563 milhões, estável em relação ao mesmo intervalo de 2020; o lucro caiu 35% para R$ 36 milhões; e o EBITDA caiu 33%, para R$ 57 milhões. A dívida líquida era de R$ 159 milhões – a relação entre dívida e EBITDA estava em 1,3x.  

Hoje, 60% das receitas da Selmi vem da venda de massas, 23% de biscoitos e o restante está distribuído em percentuais menores entre instantâneos, farinha e mistura para bolos. 

A Selmi tem entre os clientes Unilever, Carrefour, Atacadão, Assaí, Grupo Pereira e Cristal Alimentos – os cinco maiores respondem por 11% do faturamento. 

Os clientes de private label representam 4% da receita; e a exportação, 3%.