O lucro do Santander aumentou 6% no quarto trimestre, mas os números foram recebidos com ressalvas pelo mercado.
A ação abriu em baixa de 2% e cai em torno de 1% por volta das 11h30.
O lucro de R$ 4,1 bilhões entre outubro e dezembro foi um crescimento de 1,9% em relação ao tri anterior e de 6% na comparação anual. Foi o melhor resultado trimestral em quatro anos e ficou em linha com o consenso.
No acumulado de 2025, o lucro subiu 12,6% para R$ 15,6 bilhões e o ROE ficou estável em 17,6%.

O resultado foi beneficiado por uma alíquota baixa de imposto, ao redor de 3%, como aconteceu no terceiro tri.
O lucro antes de impostos – que o mercado acompanha para medir o earnings power do banco – caiu 14,8% no quarto tri em relação ao mesmo período de 2025.
“Uma alíquota de imposto muito baixa salvou o dia,” escreveu o analista Eduardo Rosman, do BTG Pactual.
“Um dos nossos objetivos para 2026 é conseguir elevar esse lucro antes de impostos de forma saudável, estamos determinados para isso,” disse o CEO Mario Leão. Segundo ele, a alíquota de imposto deve se normalizar ao longo do ano.
O resultado do quarto tri também foi ajudado por um volume menor de provisões, apesar de a inadimplência ter aumentado – a taxa acima de 90 dias subiu para 3,7% em dezembro, frente aos 3,4% registrados em setembro e aos 3,2% do fim de 2024.
Segundo o CFO Gustavo Alejo, o Santander fez provisões maiores no primeiro semestre, e por isso pode reduzir o volume no fim do ano.
Além disso, antecipou alguns créditos problemáticos para prejuízo, o que explica 25 bps dessa alta da inadimplência, de acordo com o executivo.
Este ano, em meio a um cenário macro ainda complicado, é possível que o banco volte a elevar as provisões, disse Alejo – que vai deixar o cargo em abril, quando será substituído pelo espanhol Carlos Muñiz.
“O Santander está numa jornada de de-risking das carteiras de crédito, que terá uma evolução material este ano,” disse Mario. Isso vai acontecer, segundo ele, à medida que o banco ajusta o estoque e gera “portfólios mais saudáveis”.
O plano é continuar reduzindo a exposição à baixa renda e “crescer de forma desproporcional” na alta renda e no segmento de PMEs. “Vamos crescer de forma técnica e seletiva.”
A carteira de crédito aumentou 2,8% no quarto tri frente aos três meses anteriores, e 3,7% na comparação anual, para um total de R$ 708 bilhões.
Os analistas do Citi elogiaram a “prudência” do Santander na concessão de empréstimos, a margem com clientes – que subiu 1,6% no tri a tri e 6,6% na comparação anual – e a queda da NPL formation (a originação de créditos com problemas).
“Além disso, o ROE do banco está visivelmente mais estável, girando em torno de 17% apesar de moving parts, e superando o patamar de 16% pelo sexto trimestre consecutivo,” escreveu a equipe liderada por Gustavo Schroden.
O Santander também tem feito um esforço para reduzir despesas, que caíram 2% no quarto trimestre em relação ao mesmo período de 2024.
Já a margem com o mercado voltou a piorar: o banco teve uma perda de R$ 1,5 bilhão nessa linha no quarto tri, acima do prejuízo de R$ 1,3 do trimestre anterior – algo esperado e explicado principalmente pela Selic elevada que gera perdas na tesouraria.
Na visão do BTG, “apesar do resultado mais fraco que o esperado, em termos qualitativos, o Santander continua avançando na direção correta e em linha com o plano do CEO Mario Leão: reduzir a ciclicidade, melhorar a qualidade do funding e criar um banco mais eficiente.”
A ação – que está ‘underperformando’ os pares em cerca de 10% desde o início do ano, sem contar a baixa de hoje – caiu ontem quando o grupo divulgou seu balanço global e a compra do banco americano Webster por US$ 12 bilhões.
“Isso pode ter gerado alguma frustração, já que uma eventual deslistagem da subsidiária brasileira (com prêmio sobre os preços atuais) não deve acontecer tão cedo,” escreveu o BTG.











