O município catarinense de Brusque realizará nesta sexta-feira o leilão de concessão de seus serviços de esgoto, num evento na B3 que também marcará a abertura oficial de um intenso calendário de licitações no setor de saneamento neste ano.
O contrato de Brusque envolve R$ 1,5 bilhão em investimentos e despesas operacionais nos próximos 35 anos.
O valor é uma fração dos R$ 65 bilhões previstos só em capex nos leilões de saneamento que devem ir a mercado até o final do ano. Se considerada também a privatização da Copasa, o setor pode movimentar mais de R$ 85 bilhões, segundo projeções do Santander.
Depois de Brusque, os próximos na fila são o Estado de Goiás, com uma PPP da Saneago para universalização de esgoto em 216 municípios e investimento de R$ 6,2 bilhões; e a Paraíba, onde a Cagepa fará um leilão de PPP de R$ 3 bilhões para atender 85 cidades.
O processo da Saneago tem sessão pública na B3 agendada para 25 de março, e o da Cagepa para 31 de março.
Também está pendente um leilão do município de Bauru, no interior de São Paulo, para concessão do sistema de esgoto.
Esse certame chegou a passar pela fase de envio de propostas, mas está travado por uma decisão judicial em ação movida pela Sabesp.
Em Bauru, consórcios com Aegea, Acciona e a gestora especializada em infraestrutura CBI haviam entregado envelopes.
Em Brusque, a Aegea e a GS Inima – o grupo espanhol adquirido recentemente pela TAQA, de Abu Dhabi – participaram da audiência pública sobre o leilão. Também houve questionamentos da espanhola Aguas de Valencia e da Infrainvest, da Novonor, ex-Odebrecht.
Em Goiás, Aegea e Águas do Brasil estão entre grupos de olho na PPP, disse a vice-presidente da Goinfra, Eliana Simonini, ao Brazil Journal. “Todos os grandes players manifestaram interesse. O roadshow terminou na semana passada e surpreendeu positivamente o número de interessados.”
“Tem um pipeline robusto de leilões este ano. E também tem a Copasa, que é diferente, mas acaba influenciando, porque as empresas que podem entrar são as mesmas. Precisará vir uma decisão delas sobre onde alocar capital,” disse o head de Infra Digital do Santander, Marcelo Sahatdjian.
Após estes leilões do primeiro trimestre, o grande destaque deve ser a licitação de uma PPP do Estado de São Paulo, no âmbito do programa Universaliza SP, prevista para até outubro. O capex é estimado em mais de R$ 20 bilhões.
Com preparativos em fase avançada, o Ceará deve realizar até julho o leilão de uma PPP de serviços de esgoto de R$ 7 bilhões.
Ainda há processos em andamento para PPPs no Rio Grande do Norte, com capex estimado de R$ 4 bilhões, em Rondônia (R$ 4,9 bilhões) e no Maranhão (R$ 18,7 bilhões), apontou o Santander em levantamento sobre as licitações esperadas para 2026.











