Depois da compra da AleSat, o próximo alvo da Ultrapar é a Chevron Lubrificantes, dona das marcas Texaco, Havoline e Ursa.

A compra da Chevron pode custar algo entre 400 e 800 milhões de reais à dona dos postos Ipiranga.  A venda de lubrificantes é um dos negócios de maior margem dentro do mercado de distribuição de combustíveis — apesar de, no Brasil, serem significativamente inferiores ao que se pratica no resto do mundo.

A Chevron tinha 8,6% do mercado brasileiro de lubrificantes no final de 2015. Se somados aos 13,8% que a Ultrapar já possui (com a marca Ipiranga), ela passaria a ser o segundo maior player do mercado (com 22,5%), encostando na BR Distribuidora, que tem 25%.  A Cosan hoje é a No. 2 do mercado, com 14,5%, mas tem preferido focar em sua expansão internacional.

Fontes do setor estimam que a Chevron Lubrificantes tenha uma geração de caixa (EBITDA) entre 60 e 80 milhões de reais/ano, e que o preço de venda ficaria entre 7x e 10x EBITDA.  Como a planta de lubrificantes da Ipiranga está no bairro de São Cristóvão, no Rio, uma área residencial onde há dificuldade de crescimento, algumas fontes acreditam que a Chevron, cuja planta fica na área industrial de Duque de Caxias, teria um valor estratégico adicional para a Ultrapar.

Não seria a primeira vez que as duas empresas fazem negócio.  Em 2008, a Chevron vendeu à Ultrapar sua rede de 2.000 postos Texaco por 1,16 bilhão de reais.  Hoje, tudo que a petroleira americana tem no Brasil são três campos de petróleo (Frade, Papa-Terra e Maromba) e o negócio de lubrificantes.

Numa entrevista ao Valor no final de 2014, o diretor-geral da Chevron Brasil Lubrificantes disse que a empresa esperava crescer o volume vendido entre 20% e 25% no período 2015-2017. O aumento viria por meio de crescimento orgânico e aumento de participação no mercado. 

O mercado brasileiro de lubrificantes caiu 6% em volume em 2015 e está caindo 10% este ano até agora, segundo dados da indústria.

Além da Chevron, a Ulrapar continua em conversas com o BTG Pactual sobre uma aquisição da rede de drogarias Big Ben, parte da Brazil Pharma.

A Big Ben permitiria à Ultrapar dobrar sua aposta incipiente no negócio de drogarias, que começou com a compra da Extrafarma em 2013 por 1 bilhão de reais.

A Big Ben é a maior e mais conhecida rede de drogarias do Pará, com mais de 210 lojas em sete estados do Norte e Nordeste do País — justamente a área onde a Ultrapar acaba de crescer com a aquisição da AleSat.