C’est dommage!
Se você achou o (rocambolesco) roubo das jóias da Coroa Francesa o ponto mais baixo da história do Louvre, pense novamente.
Dias atrás, dois novos escândalos provocaram a queda da presidente do museu e aumentaram a pressão contra sua administração.
Primeiro, veio o anúncio de que um vazamento no sistema de aquecimento danificou uma pintura de teto, datada do século XIX, do pintor francês Charles Meynier. Em seguida, a revelação de um esquema de reutilização de ingressos que pode ter desviado até US$ 12 milhões e teve envolvimento de funcionários do museu.
A polícia francesa prendeu nove pessoas que, segundo as autoridades, faziam parte de um esquema de 10 anos de fraudes.
Os acusados faziam parte de um negócio para utilizar ingressos antigos e usados com novos visitantes – a maioria em grandes grupos de turistas, com a anuência de funcionários do Louvre. Há também a suspeita de que esses agentes separavam grupos grandes para evitar o pagamento de taxas.
O B.O. foi extenso: formação de organização criminosa, uso de documentos falsos, corrupção e lavagem de dinheiro. Entre os detidos estão dois funcionários do Louvre, vários guias turísticos e uma pessoa suspeita de ser o mentor do esquema.
A justiça francesa também suspeita de um esquema similar no Palácio de Versailles.
A investigação começou mais de um ano atrás, quando o museu alertou os investigadores sobre a presença frequente de dois guias chineses que traziam até 20 grupos turísticos por dia. Após o início das investigações, outros guias foram acusados de participar do esquema.
Segundo a polícia francesa, o dinheiro do esquema foi desviado para outros países. Parte foi usado para comprar imóveis na França e Dubai, enquanto autoridades apreenderam mais de € 957.000 em dinheiro com os acusados.
O administrador-geral do Louvre, Kim Pham, disse à Associated Press que uma fraude de ingressos no museu era “estatisticamente inevitável” e admitiu problemas na checagem de ingressos comprados online – um problema que nem mesmo festas universitárias sofrem.
O Louvre é o museu mais visitado do mundo, com 9 milhões de visitantes por ano em busca de ver as mais de 35 mil obras espalhadas por 86.000 metros quadrados.
Os escândalos em série provocaram a saída da presidente Laurence des Cars, que teve sua renúncia recusada no ano passado pelo Presidente Emmanuel Macron após o caso do roubo de jóias mas não resistiu às novas revelações.
Des Cars foi nomeada em 2021 e reconheceu uma “falha terrível” nos sistemas de segurança após o roubo das jóias, admitindo que a cobertura das câmeras de segurança nas paredes externas do museu era “altamente inadequada”.
O novo presidente do Louvre será Christophe Leribault, anteriormente um diretor no Palácio de Versailles.
O esquema das fraudes de ingresso foi revelado um dia antes do Louvre publicar os impactos do vazamento na obra de Charles Meynier.
O problema foi descoberto na sala 707, também conhecida como sala “Duchâtel”, que abriga diversas obras dos séculos XV e XVI.
Segundo o museu, o vazamento foi interrompido 40 minutos após começar e a única pintura danificada foi Le Triomphe de la peinture française: apothéose de Poussin, de Le Sueur et de Le Brun, de Charles Meynier.
Um restaurador inspecionou a pintura no dia seguinte do vazamento e constatou dois rasgos na mesma área e uma camada de tinta que estava desprendendo do teto.











