A fintech britânica Revolut – que já vale US$ 33 bilhões e tem mais de 18 milhões de clientes em 35 países – acaba de contratar Glauber Mota como CEO de sua operação brasileira, que ela espera botar de pé no início do segundo semestre.

Glauber trabalhou os últimos anos no BTG, onde era o braço direito de Amos Ganish na chamada digital retail unit do banco, onde ajudou na criação do BTG+ e do BTG+ Business.

A Revolut já havia anunciado em meados do ano passado que entraria no Brasil. Com a chegada de Glauber, a empresa vai acelerar os planos, e deve lançar oficialmente sua conta digital já entre julho e agosto. 

A empresa diz que já tem uma lista de espera com “milhares de pessoas” e que vai começar a operar num modelo beta com poucos clientes. 

A estratégia para escalar vai ser basicamente o boca a boca. 

“Historicamente, a Revolut não gasta muito dinheiro com propaganda; mundialmente ela nunca fez um investimento muito grande em publicidade,” Glauber disse ao Brazil Journal. “Os carros chefes sempre foram o ‘member-get-member’ e a atração orgânica. Aqui não vai ser diferente.”

Fundada em 2015, a Revolut nasceu com um conta global focada em viagens internacionais: o produto dá acesso a 28 moedas diferentes, permitindo que o cliente tenha uma wallet em dólar, uma em euro e outra em yen, por exemplo. 

Ao viajar, ele pode passar o cartão em qualquer moeda e o câmbio é feito na hora com a cotação do momento. (Para os brasileiros, o ganho é o mesmo de empresas como Nomad e Avenue: em vez de pagar um IOF de 6,38% com um cartão internacional, ele paga uma taxa de apenas 1,1% nas transações.)

Com o tempo, a fintech foi adicionando outras soluções à plataforma, como crédito, investimentos, seguros e até uma exchange de criptomoedas e uma plataforma de booking de viagens, a Stays.

Inicialmente, a Revolut vai entrar no Brasil apenas com o produto de conta global, que Glauber calcula ter um mercado endereçável de 12 milhões de pessoas. 

Mas com o tempo, ela deve adicionar a conta local e as outras soluções que já tem na prateleira. 

“Preferimos focar primeiro no que achamos que tinha mais aderência no mercado local, e esse público de viagem internacional é muito mal servido no Brasil,” disse Glauber, que antes do BTG trabalhou no Itaú e no Opportunity. “Mas esse é um mercado de nicho. Quando tivermos a conta local, nossa ideia é brigar de igual para igual com players como Nubank, Inter e o próprio BTG+.”

O CEO acredita que a Revolut terá uma vantagem de ‘latecomer’. 

“Esses players desenvolveram o Brasil baseado na tecnologia que tinha até então. Com o Open Finance isso vai mudar, e a Revolut tem uma expertise muito grande nisso, já que o Open Finance brasileiro foi inspirado no da Inglaterra,” disse ele. “Isso já coloca a gente um passo à frente.”

A entrada no Brasil faz parte de uma estratégia de expansão da Revolut focada em mercados emergentes e que está sendo financiada por uma rodada com o Softbank — que investiu US$ 800 milhões na empresa em julho passado a um valuation de US$ 33 bi. 

A Revolut já opera em 35 países — incluindo Austrália, Japão, Singapura e EUA — mas boa parte da receita ainda vem da Inglaterra e da Europa. 

Na nova fase de expansão, os mercados prioritários serão Brasil,  México e Índia. Nos últimos dois países, no entanto, a Revolut está entrando — num primeiro momento — com foco num produto de remessas, que é o que “tem mais apelo para esses mercados.” 

A Revolut já tem mais de 30 funcionários no Brasil e o C-Level já está quase formado. 

O COO será Felipe Lachowski, que passou pelo Neon; a diretora jurídica é Julia Lindsey, que veio do ING; e a head de compliance, Priscila Rocco, veio do Mercado Bitcoin. Permanecem abertos os cargos de CFO e CRO (o head de risco).