O primeiro leilão do Governo para projetos de armazenamento de energia está atraindo gigantes globais do setor, em meio a expectativas de investimentos bilionários. 

A Tesla, de Elon Musk, as chinesas CATL e Huawei, e a multinacional brasileira WEG estão entre as fornecedoras de Battery Energy Storage Systems (BESS) de olho na licitação, agendada para abril.  

“A grande dúvida é se alguém vai conseguir competir com os chineses; eles vão chegar derrubando os preços como fizeram nos carros elétricos?”, uma fonte que assessora potenciais participantes disse ao Brazil Journal.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, esteve na China na última semana convidando fabricantes para a disputa. 

Recentemente, Silveira disse que a intenção é contratar sistemas de baterias com 2 gigawatts em capacidade nesse primeiro certame.

“Isso seria equivalente a um investimento em torno de R$ 10  bilhões,” disse o presidente da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), Markus Vlasits. 

Ele estimou que o leilão pode atrair cerca de 20 GW em projetos, dez vezes a demanda esperada. “Estamos vendo uma atividade frenética, vai ter muita oferta.”

Os participantes devem ser geradoras, transmissoras e distribuidoras de energia, que entrariam como operadores, contratando os BESS dos fabricantes especializados. Estes poderiam eventualmente entrar diretamente na disputa por meio de consórcios. 

O Brasil tem hoje cerca de 1 GW em sistemas como esses. A Vale, por exemplo, já contratou um BESS com baterias da Tesla, e a WEG fez diversas instalações comerciais e industriais. A Huawei se associou à local Matrix Energia para projetos incluindo baterias para garagens de ônibus elétricos em São Paulo.

A China responde por 60% da capacidade global em BESS, com mais de 75 GW em operação ao final de 2024, seguida pelos EUA. 

Para a equipe de research do BTG, a WEG seria um dos principais nomes aptos a disputar com os chineses, tanto no Brasil quanto em outros mercados em que atua, como o americano. 

“Vamos a WEG como um dos players mais bem posicionados estrategicamente, dado seu portfólio de produtos e organização estrutural, para capturar essa tendência de forma lucrativa,” escreveu o banco em relatório nesta semana. 

Os analistas do BTG calculam que a WEG tem 50% de share no mercado nacional de BESS, e fatia de um dígito em outras geografias. 

“Embora os BESS continuem pequenos em termos das vendas gerais da WEG… uma situação similar se aplicava aos transformadores alguns anos atrás, e eles agora respondem por 20% do lucro da WEG, destacando quão rapidamente as tendências podem mudar.” 

Mas a disputa pelo mercado promete ser acirrada. Maior fabricante global de baterias, a chinesa CATL disse que “enxerga o Brasil como um mercado prioritário”, ao responder consulta pública do Ministério de Minas e Energia sobre o leilão. 

A Tesla também participou da consulta enviando dois documentos com contribuições. A companhia disse ver a licitação como uma “oportunidade estratégica para acelerar a instalação da tecnologia no País.”