Com o anúncio do spinoff da Bradsaúde – a operação de saúde do Bradesco – o Itaú BBA agora decidiu se debruçar sobre a Bradesco Seguros, que responde por mais de 40% do lucro do banco.
O exercício permite a investidores fazer um valuation mais assertivo do Bradesco, separando o valor do banco do da seguradora.
O spin-off da Bradsaúde “fornecerá um preço de tela para aproximadamente um terço do lucro de seguros. Não antecipamos um movimento corporativo óbvio para as demais unidades, mas o exercício [de precificação separada] passa a ser mais convidativo,” escreveu Pedro Leduc, que cobre o Bradesco no Itaú.
Nas contas de Leduc, usando o método de soma das partes de seus diferentes negócios, a Bradesco Seguros poderia valer de R$ 110 bilhões a R$ 130 bilhões, atribuindo-lhe um múltiplo de 10x a 12x o lucro estimado para este ano.
Deste total, cerca de R$ 40 bilhões vêm do negócio de seguro de saúde (que está sendo separado), enquanto os R$ 80 bilhões restantes continuam 100% dentro do Bradesco.
Excluindo a seguradora, o Itaú calcula que a operação bancária estaria sendo negociada entre R$ 76 bilhões e R$ 95 bilhões, o que implica um múltiplo de 4x-5x lucro e de 0,6x-0,8x book value — “um nível consistente com o ROE atual do banco de 12%.”
De forma geral, o exercício de Leduc sugere que o ROE do Bradesco nos últimos 12 meses (apenas 11,7% em 2025) ainda está refletido no múltiplo price-to-book só do banco abaixo de 1x, “gerando um potencial de alta à medida que o ROE bancário continuar melhorando,” escreveu o analista.
Além disso, “a listagem separada da saúde trará um preço de tela para um terço dos lucros de seguros, ajudando o mercado a avaliar seu desempenho e a precificar melhor a entidade como um todo.”
Para o analista, o spinoff do negócio de saúde já adiciona entre R$ 0,80 e R$ 1,50 por ação ao valor justo do Bradesco.
O banco da Cidade de Deus opera em alta de 2,4% no início da tarde, negociando a cerca de R$ 20. Leduc tem um preço-alvo de R$ 22.
No relatório, o Itaú lembra que a Bradesco Seguros é uma das maiores franquias de seguros do Brasil, operando nos segmentos de vida e previdência, saúde, automóveis e capitalização.
A seguradora teve um lucro líquido de R$ 10,1 bilhões em 2025, respondendo por 41% do lucro total do Bradesco. A projeção do Itaú é que esse lucro suba para R$ 11 bilhões este ano, impulsionado principalmente pela melhora dos segmentos de vida e previdência e pela manutenção do crescimento em saúde e automóvel.
Na Bradesco Seguros, o maior negócio é o de vida e previdência, que responde por cerca de 35% do lucro líquido, ou R$ 3,5 bilhões, ainda que esse número venha caindo nos últimos anos.
O negócio de seguro de saúde tem sido o destaque recente, contribuindo com 34% do lucro (R$ 3,4 bilhões) após uma gestão bem-sucedida da sinistralidade, disse Leduc.
O analista notou ainda que os resultados operacionais e financeiros contribuem de forma equivalente para o resultado.
“Enquanto os resultados operacionais se recuperaram com força, impulsionados pela saúde, alcançando R$ 4,9 bilhões em 2025, os resultados financeiros permanecem em torno de R$ 5,1 bilhões.”











