Bill Ackman aproveitou a queda recente das ações do setor de software para investir na Microsoft – e disse que o recuo do papel abriu uma rara oportunidade, com a Big Tech agora negociando a um valuation atraente.

Já Christopher Hohn, o respeitado gestor da TCI Fund Management, liquidou quase toda sua participação de US$ 8 bilhões na gigante de software, acreditando que a AI representa uma ameaça aos produtos da Microsoft.

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A TCI manteve uma participação significativa na Microsoft durante quase uma década, sempre em torno de 10% de seu portfólio. Agora, cortou a participação para apenas 1% da carteira, segundo o Financial Times.

“Reduzimos nosso investimento na Microsoft porque o rápido progresso da AI traz incerteza sobre sua posição competitiva no futuro,” Hohn disse aos cotistas do fundo em uma carta recente.

“Estamos preocupados principalmente com a franquia Office,” escreveu o gestor. “A AI pode mudar os fluxos de trabalho e levar ao surgimento de novas plataformas de produtividade.”

Ackman está tomando a ponta oposta do trade. Segundo o 13F enviado à SEC na sexta-feira, a Microsoft representa pouco mais de 15% da carteira Pershing Square, uma posição que valia US$ 2,1 bi no final do primeiro tri.

“Conseguimos abrir nossa posição com um preço de 21x o lucro dos próximos 12 meses, em linha com o múltiplo de mercado e bem abaixo da média da Microsoft nos últimos anos,” Ackman escreveu em um post no X.

A Microsoft perdeu cerca de 25% de seu valor desde a máxima registrada em julho do ano passado. A companhia fundada por Bill Gates vem sendo impactada pelo receio de que os agentes de AI de startups como Anthropic e OpenAI vão abocanhar o mercado das tradicionais empresas de software.

A mínima da empresa no ano foi em abril, com a ação recuando abaixo de US$ 360. Desde então, o papel andou 18% e agora negocia a US$ 423. A companhia agora vale US$ 3,1 trilhões na Bolsa.

Para Ackman, o pessimismo com relação à Microsoft tem sido exagerado: o Office continua sendo largamente utilizado e está integrado à gestão de muitos negócios – o que lhe dá um moat (uma barreira de proteção) contra o ataque de competidores. Ackman também está feliz com a crescente adoção do Copilot – o assistente de AI que a Microsoft incorporou em seus produtos – e da Azure, o serviço de nuvem da Microsoft.

“Estamos animados em ver a Microsoft priorizando seus esforços em P&D e investindo no Copilot, seu próprio agente de IA integrado ao M365, com o envolvimento direto do CEO Satya Nadella,” escreveu.

Satya Nadella

Ackman descreveu a estratégia como similar à realizada no passado pela Pershing Square em seus investimentos em Amazon, Meta e Alphabet.

A Pershing Square embolsou liquidou sua posição em Alphabet para financiar boa parte da compra de Microsoft.

“Para deixar claro, nossa venda de $GOOG não foi uma aposta contra a empresa,” escreveu Ackman. “Estamos muito otimistas com a Alphabet a longo prazo. Mas considerando os valuations atuais e nossa base de capital limitada, usamos $GOOG como fonte de recursos para $MSFT.”

Já a Berkshire Hathaway, agora sob o comando do CEO Greg Abel depois da aposentadoria de Warren Buffett, mais do que triplicou a participação da Alphabet em seu portfólio.

As ações da controladora do Google agora são a sétima maior posição da Berkshire: US$ 16,6 bilhões no final do primeiro tri. O total de ações detidas – 58 milhões – é uma alta de 224% em relação à posição de dezembro.

O Google era visto até pouco tempo atrás com um negócio ameaçado pelo avanço das ferramentas de inteligência artificial, mas cada dia mais vem se consolidando como um dos ganhadores. Sua ferramenta de AI, o Gemini, vem tirando usuários do ChatGPT, da OpenAI.

As ações da Alphabet sobem 26% no ano e acumulam valorização de 136% nos últimos doze meses.

A empresa negocia com um P/E ao redor de 29x. O market cap da Big Tech já se aproxima de US$ 5 tri, atrás apenas dos US$ 5,3 tri da Nvidia.