A CVS anunciou hoje que vai desmembrar sua rede de drogarias em uma nova empresa listada, sob o argumento de que as duas companhias resultantes funcionarão melhor separadamente.
O mercado detestou a ideia.
A ação caiu 12% em Nova York, com os investidores questionando se o negócio de varejo da gigante de saúde conseguirá gerar valor por conta própria e se o movimento não resultará em uma perda de sinergias. O papel sobe 3% nos últimos 12 meses.
O spinoff tende a reduzir, por outro lado, as pressões regulatórias que a empresa e suas concorrentes vêm sofrendo, num momento em que a classe política aponta conflitos de interesse e tenta reverter a verticalização do setor de saúde dos EUA nos últimos anos.
Originalmente uma rede de drogarias, a CVS expandiu sua atuação para segmentos como o de gestão de benefícios farmacêuticos, que envolve a administração da cobertura de medicamentos dos planos de saúde e a intermediação das relações entre operadoras, laboratórios, farmácias e pacientes.
Mas o maior salto de valuation (e de atuação) da empresa ocorreu depois da compra da seguradora Aetna por US$ 70 bilhões em 2017, o que aprofundou sua tese de verticalização e a levou a alcançar um valor de mercado de mais de US$ 100 bilhões na Bolsa.
Menos de uma década depois, e contradizendo o que vinha dizendo até o ano passado, o management decidiu que a operação de varejo funciona melhor de forma independente – e que irá desmembrá-la em outra empresa listada, batizada de CVS Pharmacy, no primeiro semestre de 2028.
A informação foi veiculada inicialmente pelo Financial Times.
Prem Shah, o atual presidente da divisão de farmácias do grupo, comandará a nova empreitada, que também incluirá a rede de clínicas MinuteClinic e um serviço de farmácia por correspondência.
A segunda empresa – que ficará com a Aetna, os negócios de benefícios farmacêuticos (Caremark), o serviço de atendimento domiciliar (Signify Health) e a rede de cuidados de idosos beneficiários do Medicare (Oak Street Health) – manterá o nome CVS Health e o CEO David Joyner.
Os investidores terão ações das duas empresas após a cisão.
A notícia provocou uma reação negativa do mercado, já que – como a queda da Walgreens, uma outra gigante do setor, mostra – o varejo físico vem paulatinamente perdendo espaço para as vendas online nos últimos anos, resultando em baixo crescimento e margens reduzidas.
Mas o negócio tem apresentado melhorias em seu controle de custos e poderá crescer mais rapidamente se desvinculado da estrutura atual da empresa, Joyner disse à Bloomberg, reconhecendo que a rede de drogarias recebeu pouco investimento nos últimos anos.
Em dezembro, o executivo havia dito que a experiência unificada oferecida pela CVS, graças à sua atuação diversificada no setor de saúde, era “o diferencial da organização”.
A empresa avaliava opções estratégicas há anos e, pressionada pelo fundo ativista Glenview Capital, chegou a discutir uma cisão em 2024, o que culminou na saída da então CEO Karen Lynch.
Joyner defende, no entanto, que as sinergias entre negócios serão mantidas e que a situação financeira da empresa melhorou consideravelmente de lá para cá, permitindo que o board pudesse decidir pela cisão sem pressões externas.
A CVS reportou hoje um resultado trimestral acima das expectativas do mercado e elevou suas projeções de lucro anual para este ano e o próximo.
A CVS vale US$ 103 bilhões na Bolsa.





