Pague Menos decepciona na receita, mas compensa no EBITDA e lucro

Pague Menos decepciona na receita, mas compensa no EBITDA e lucro

A Pague Menos reportou um terceiro tri com desaceleração na receita, que veio abaixo do consenso, mas com ganhos importantes de rentabilidade – que levaram à maior margem de lucro da história da companhia para o período.

Depois de ter crescido 13,9% no terceiro tri de 2024 e 17,9% no mesmo tri do ano passado, a receita da Pague Menos agora desacelerou para 6,9%, com o same-store sales ficando em 5,6%.

A receita, de R$ 4,4 bilhões, veio 0,7% abaixo do consenso, enquanto o SSS ficou 0,5 ponto abaixo.

O CEO Jonas Marques disse ao Brazil Journal que a receita mais fraca teve a ver com a base comparativa muito forte e a perda de força das drogas GLP-1, que vinham sustentando o crescimento mas começaram a desacelerar já no segundo tri.

“Quando uma categoria empurra tão fortemente o consumo ela acaba carregando também outras categorias,” disse Jonas. “Mas agora estamos há 1 ano e meio da categoria no Brasil e ela já está mais estabilizada, com um patamar de crescimento menor. Isso diminui o crescimento não só dela, mas de outras categorias também.”

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O executivo lembrou que quando o Mounjaro foi lançado no País em maio de 2025, a Pague Menos foi a primeira rede a vender o medicamento, que ficou por um bom período sendo vendido apenas em três redes porque a fabricante não tinha estoque para todas. 

“Isso fez com que tivéssemos uma participação de mercado em GLP-1 de uns 15%, que era o dobro da nossa participação normal de mercado. Quando a Eli Lilly começou a ter estoque e a vender para todas as redes, no começo deste ano, isso fez nosso share cair para uns 9%, e também contribuiu para essa desaceleração que temos visto.”

Outro fator que pressionou o top line foi o resultado dos medicamentos over the counter (OTC), que cresceram apenas 2,5% no tri.

O resultado fraco teve a ver com uma boa notícia para os brasileiros: as infecções respiratórias estão mais brandas este ano em comparação com anos anteriores. “Essa desaceleração foi igual em todo o mercado, porque a demanda por medicamentos respiratórios caiu,” disse o CFO Luiz Novaes.

Apesar da receita mais fraca, a Pague Menos ainda conseguiu ganhar market share nacionalmente. Segundo os dados da IQVIA, que mede o crescimento das redes usando a metodologia de “preços comparáveis”, o setor de farmácias cresceu 9,1% no trimestre, enquanto a Pague Menos cresceu 9,6%. 

O crescimento da companhia de Deusmar Queirós também foi bem menos dependente de novas lojas e mais concentrado no same-store sales do que o restante dos concorrentes. 

O destaque positivo do tri foi a rentabilidade. Jonas disse que a companhia já vinha de uma base muito forte, tendo dobrado o EBITDA nos últimos dois anos, mas mesmo assim conseguiu crescer 7,1% no trimestre, entregando um EBITDA de R$ 279 milhões – 1% acima do consenso.

Já o lucro líquido foi de R$ 96 milhões, 2,4% acima das projeções dos analistas e com uma margem de 2,1%, a maior da história da companhia para um terceiro trimestre.

Segundo o CEO, a melhora teve a ver com ganhos de eficiência que a Pague Menos tem extraído com revisões de contratos, incluindo economias nas despesas de compra.

A geração de caixa operacional foi outra surpresa positiva. A Pague Menos gerou R$ 165 milhões no trimestre, quase 3x mais que no mesmo período do ano passado, elevando o total dos últimos doze meses para R$ 690 milhões. A alavancagem se manteve estável em 1,8x EBITDA.

No trimestre, a Pague Menos abriu 14 lojas e espera abrir outras 25 neste trimestre, totalizando cerca de 50 aberturas no ano.

Para o ano que vem, o CEO disse que o orçamento ainda não foi definido – a companhia decidiu alongar um pouco o prazo para ter mais clareza do cenário econômico – e a Pague Menos vai trabalhar com uma faixa de abertura de lojas maior para ter mais flexibilidade.

“O componente mais importante e mais sensível para a gente é a perspectiva de taxa de juros. Se a taxa de juros voltar a ter uma curva ascendente ou cair menos do que imaginamos, isso coloca uma pressão adicional e podemos precisar preservar ainda mais caixa do que já estamos preservando,” disse o CFO.

“Queremos reduzir ainda mais a alavancagem, então se a taxa de juros não ceder, talvez tenhamos que abrir menos lojas e segurar os investimentos.”