Tractian vale US$ 1,4 bi e vira a maior empresa de AI da América Latina

Tractian vale US$ 1,4 bi e vira a maior empresa de AI da América Latina

Nos últimos dois anos, a Tractian fez uma transformação brutal em seu negócio. 

A startup – que usa sensores e modelos de inteligência artificial para prevenir problemas nos maquinários das indústrias – mudou sua sede para os Estados Unidos, hoje seu principal mercado, e ampliou significativamente seu escopo de atuação. 

Antes, a empresa fazia apenas o monitoramento mecânico dos ativos, o que foi apelidado no mercado de ‘band-aid preditivo.’ 

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Agora… “viramos realmente uma empresa de physical AI,” o CEO Igor Marinelli disse ao Brazil Journal. “Passamos a olhar para os equipamentos em todas as suas dimensões: a mecânica, que já tínhamos; a elétrica, analisando todo o padrão de consumo e descarga elétrica; a operacional, analisando o contexto operacional de cada uma das máquinas; e a visão computacional, que complementa as outros três.”

O resultado?

A receita da Tractian multiplicou por 2,5x, chegando a uma receita recorrente anualizada (ARR) de quase US$ 100 milhões no mês passado, e sua base de clientes saltou para mais de 2 mil fábricas, com a rentabilidade também melhorando e se aproximando do breakeven.

Agora, essa transformação está sendo recompensada: a Tractian acaba de ingressar no seleto grupo de unicórnios brasileiros.

A startup fechou uma rodada Série D de US$ 130 milhões a um valuation post-money de US$ 1,4 bilhão – o dobro do que ela havia sido avaliada em sua última captação, há exatamente dois anos. 

O valuation também transformou a Tractian na maior empresa de inteligência artificial da América Latina, ultrapassando (por uma pequena margem) a legaltech Enter, avaliada em US$ 1,2 bi numa rodada recente.

A Série D foi liderada por dois investidores que já estavam no cap table: a Sapphire Ventures e a Catalyst; e teve a participação da N47, General Catalyst, Bosch Ventures, 53 Stations, Monashees, Endeavor Catalyst, Norte Ventures e Y Combinator, num raro investimento da incubadora americana numa Série D.

Fundada em 2019 por Marinelli, Gabriel Lameirinhas e Leonardo Vieira, a Tractian une a chamada ‘internet das coisas’ com modelos de AI.

A startup desenvolve sensores que são fornecidos em comodato para as indústrias e colocados nos maquinários. Esses sensores capturam dados como vibração, temperatura, pressão, vazão, corrente e tensão, que depois são analisados pelos modelos da companhia, ajudando na manutenção preventiva dos equipamentos. 

Se um sensor da Tractian identificar, por exemplo, que uma das máquinas está com falta de lubrificação, o software da empresa pega essa informação, cruza com o datasheet do fabricante e chega à causa do problema. Na sequência, o modelo vai sugerir a solução – a troca do componente ou o uso de um lubrificante específico, por exemplo.  

A semente da Tractian cresceu nos corredores da USP, onde Marinelli e Lameirinhas estudavam engenharia da computação. 

Os dois se conheceram no primeiro dia de aula, e poucos meses depois já estavam dividindo um apartamento com a ideia de criar um negócio juntos.

Os recursos da rodada vão ser usados para investir mais em P&D com foco em duas frentes: o desenvolvimento de um sistema que permita que os modelos da Tractian controlem as máquinas dos clientes e executem algumas ações; e o desenvolvimento de sensores para o monitoramento de robôs dentro das fábricas, um mercado que vem crescendo. 

“Hoje já damos orientações falando para fazer o balanceamento ou desligar o compressor de ar e ligar outro, por exemplo, mas não executamos essas orientações,” disse Igor. “Estamos evoluindo para executar, o que ajuda a reduzir os custos dos clientes. Mas isso envolve não só software, mas mudanças no hardware também.”

Segundo ele, a Tractian já está fazendo testes com alguns clientes nos EUA e pretende lançar um produto no ano que vem. 

Outra frente estratégica será a expansão do time comercial e de marketing, buscando capturar um perfil específico de clientes que vem crescendo muito: os data centers de AI. A Tractian já atende três grandes empresas de data centers nos EUA e vê espaço para crescer mais nesse segmento. 

A meta para os próximos três a cinco anos é chegar a um ARR de cerca de US$ 500 milhões e buscar um IPO nos EUA – uma ambição que o fundador tem desde que mudou a sede da empresa para Atlanta.

Marinelli disse que tomou essa decisão – apesar de alguns investidores terem achado o movimento precipitado – porque desde o início avaliou que os EUA seriam o maior mercado da empresa. 

“E se os EUA iam ser nosso maior mercado, tínhamos que ir rapidamente para lá, para ter o melhor produto lá, e competir com quem seriam nossos verdadeiros competidores,” disse o fundador. 

“Não dá para competir em nível global estando no Brasil. Sem falar nos problemas que temos de moeda, instabilidade política e tamanho do PIB. O Texas sozinho é do tamanho do Brasil.”