A Pague Menos pretende abrir mais 180 lojas nos próximos dois anos, disse que já começou a capturar sinergias “importantes” da Extrafarma e que está aberta a fazer mais um “M&A relevante” em 2024.

“Nossa vontade é fazer um novo movimento inorgânico,” o CFO Luiz Novais disse agora há pouco ao Brazil Journal. “Mas tudo vai depender de concluirmos com sucesso a integração e de acharmos outro target relevante com um nível de retorno igual ou maior que o da Extrafarma.”

A companhia vai se reunir com o mercado amanhã em seu Investor Day, onde vai detalhar o guidance para seu próximo ciclo de crescimento bem como os primeiros resultados da integração da Extrafarma. 

Segundo o CFO, nos primeiros 40 dias pós-aquisição, a Pague Menos já garantiu R$ 38 milhões de sinergias para os primeiros seis meses — 60% a mais do que estava projetando.

A meta é capturar, de forma escalonada, de R$ 180 milhões a R$ 275 milhões em EBITDA adicional ao longo dos próximos dois anos.

“Bastante coisa já foi feita,” disse o CFO. “Já desmobilizamos a diretoria deles e incorporamos na nossa, já integramos o backoffice, já começamos a abastecer algumas lojas da Extrafarma com os CDs da Pague Menos, e já fechamos dez lojas deles que estavam performando mal.”

O próximo grande movimento: reforçar o estoque das lojas da Extrafarma, o que vai demandar R$ 180 milhões em capital de giro — R$ 60 milhões a mais do que o esperado pela Pague Menos na época da aquisição. “Vamos precisar investir mais, mas por outro lado isso traz mais oportunidades de melhoria no faturamento médio por loja,” disse Luiz. 

Segundo ele, o nível de ruptura das lojas Extrafarma é 2,5x maior que o das lojas Pague Menos. Isso deprime o faturamento por loja, que era de R$ 420 mil na Extrafarma na época da aquisição contra R$ 620 mil na Pague Menos. 

De lá para cá, o faturamento por loja da Extrafarma já subiu para R$ 470 mil, e “achamos que ainda dá pra subir mais uns 10%,” disse o CFO.

A Pague Menos também espera melhorar as margens da Extrafarma, que hoje opera com EBITDA negativo e prejuízo anual na faixa de R$ 40 milhões. 

A companhia está tentando mudar a percepção do mercado num momento em que sua ação acumula uma queda de 45% nos últimos 12 meses, negociando a R$ 5,90 — abaixo do preço que saiu no IPO.

Parte da queda tem a ver com o cenário macro, mas a Pague Menos também vem perdendo market share em seu principal mercado — o Norte e Nordeste. Com o avanço das outras grandes redes e o crescimento das redes associativistas (que reúnem várias farmácias independentes numa região), a Pague Menos perdeu share nos últimos três trimestres. 

“Não tínhamos dinheiro para abrir loja antes do IPO. Quando captamos, as lojas só começaram a abrir de fato um ano depois, pelo ciclo natural de abertura,” disse Luiz. “Nosso ritmo de expansão é adequado, mas o mercado está abrindo mais que a gente… Daqui um ano, acho que já devemos voltar a ganhar share orgânico nessas regiões.”

Apesar da percepção generalizada de que existe uma farmácia em cada esquina, Luiz acredita que há “bastante espaço” para a abertura de novas lojas — principalmente no Norte e Nordeste do País. 

Nos últimos dois anos, a Pague Menos abriu 200 novas lojas, chegando a cerca de 1.600. A ideia é desacelerar no ano que vem para focar na integração da Extrafarma, abrindo 60 novas drogarias, e retomar o ritmo em 2024, voltando a abrir 120 lojas.