Em um esforço para reter talento em meio ao frenético investimento em inteligência artificial, a Meta ofereceu aos seis executivos de seu C-Level um programa de pagamentos em stock options que poderá render centenas de milhões de dólares.
Com uma ‘pequena’ condição: o valor de mercado da companhia tem que multiplicar por mais de 6x e bater US$ 9 trilhões – (not a typo).
O market cap da companhia de Mark Zuckerberg hoje está em US$ 1,36 trilhão. Para que o primeiro gatilho de pagamento de bônus seja acionado, a ação tem que ir para US$ 1.116,08 – uma alta de 108% em relação ao preço de tela.
O pacote total dos executivos só será executado se os US$ 9 tri forem alcançados até 2031.
Segundo o Wall Street Journal, o programa de retenção do top management inclui Andrew Bosworth (chief technology officer), Chris Cox (chief product officer), Javier Olivan (chief operation officer), Susan Li (chief financial officer), C.J. Mahoney (chief legal officer) e Dina Powell McCormick (vice chairman).
Para alguns deles, a recompensa poderá passar de US$ 900 milhões. Zuckerberg, o CEO, ficou de fora.
“Esta é uma grande aposta. Esses pacotes de remuneração não serão concretizados a menos que a Meta alcance um enorme sucesso futuro, beneficiando todos os nossos acionistas,” disse ao Journal um porta-voz da Meta. “Como acontece com todas as opções de ações, só há valor se o preço da ação exceder significativamente o preço de exercício e, neste caso, isso deve ocorrer em um prazo extremamente agressivo de cinco anos.”
Bota agressivo nisso.
Para chegar lá, a ação teria que entregar um retorno anualizado de 45% até 2031.
Zuckerberg parece ter adaptado o playbook de Elon Musk, que conseguiu aprovar para si próprio um programa de bônus que pode lhe render até US$ 1 trilhão ao longo de dez anos.
O plano de bônus, entretanto, teve uma estreia ruim. A ação da Meta está em queda forte nos dois últimos dias depois que um júri da Califórnia condenou a Big Tech e o Google num processo movido por um jovem que acusa as empresas de viciarem os usuários de redes sociais, causando danos à saúde mental.
O tribunal de Los Angeles estabeleceu uma indenização de US$ 6 milhões – 70% a serem pagos pela Meta e o restante pelo Google. TikTok e Snapchat, também citadas, fizeram acordos por valores não divulgados.
O caso, já tido como histórico, poderá dar as bases para uma avalanche de condenações semelhantes.
“Há uma discussão se a decisão pode ser comparada às condenações contra as grandes empresas de tabaco na década de 90,” disse o JP Morgan, segundo a Barron’s. “Muitos outros casos ainda irão a julgamento. Toda essa repercussão pode manter as ações da Meta sob pressão ou estacionada no curto prazo.”
O papel caiu 8% na quinta-feira e recua quase 3% hoje. No ano, a queda já passa de 18%. Os investidores vêm questionando a rentabilidade do enorme investimento em capex em infraestrutura de AI, que apenas este ano deverá ficar entre US$ 115 bi e US$ 135 bi.
A Meta é hoje a sétima empresa mais valiosa do mundo, logo à frente da Tesla. Todas as oito maiores são Big Techs. A Nvidia lidera, com um market cap de US$ 4,1 tri.






