Mesmo depois do bull market nos últimos anos, ainda é possível encontrar value stocks na Bolsa americana, dizem os analistas do Citi.

Essas ações são aquelas que, ao menos em tese, negociam com desconto em relação aos fundamentos. 

Mas hoje, “value não é o que a maioria dos investidores definiria como barato,” disse o banco.

As ações de valor que fazem parte do S&P 500 negociam a cerca de 20 vezes o lucro por ação dos últimos 12 meses, o maior múltiplo em duas décadas. O P/L do S&P 500 está em 24 vezes (veja o quadro abaixo). 

Para o Citi, os papéis que podem justificar esse valuation mais esticado são aqueles que têm catalisadores claros para a expansão de lucros, indicadores financeiros sólidos e exposição a “temas” considerados promissores – geralmente, relacionados a tecnologia.

Os setores que reúnem os melhores exemplos disso atualmente são os de fintechs e tecnologia wearable, de acordo com o Citi.

GRAFICO CITI V2

O banco tem um índice que reúne as ações de maior potencial segundo esses critérios. Neste mês, foram incluídos no indicador quatro papéis do setor financeiro – BlackRock, Capital One Financial, Charles Schwab e Equifax – e dois de wearables – Boston Scientific e Medtronic.

Os analistas afirmam buscar empresas cujo crescimento implícito dos lucros está em linha ou abaixo do consenso — “o que significa que alcançar o consenso já pode ser suficiente para gerar valorização”. 

Quando o consenso está abaixo da expansão implícita, diz o banco, a companhia precisa superar as expectativas trimestrais (beat-and-raise) ou mostrar que terá uma trajetória de crescimento de longo prazo. 

Também é fundamental ter indicadores financeiros sólidos e acima da média histórica, afirma o Citi. Os principais são ROE e de dívida em relação ao patrimônio.

O banco analisa ainda o PEG ratio para selecionar as “menos caras”. Esse indicador mede a relação entre o P/E das empresas e seu crescimento esperado de lucros. Números ao redor de duas vezes são considerados ok.