Com o Bitcoin caindo dia sim, dia também, e o recente selloff em ações de tecnologia nos Estados Unidos, os investidores estão tentando entender se o sentimento de pânico no mundo cripto já está afetando outros ativos.

Só hoje, o Bitcoin despencou mais de 10%, levando a queda do ano a 33%. Desde as máximas em outubro, a mãe de todas as criptomoedas já perdeu US$ 1 trilhão em valor de mercado.

Coincidência ou não, a Nasdaq também tem mostrado fraqueza desde seu pico recente em 29 de outubro, três semanas após a máxima do Bitcoin.

“O Bitcoin está em queda livre, e provavelmente a dor ainda vai piorar, e esse medo se espalhou para os mercados em geral também,” um gestor de investimentos disse à Barron’s.

Para outro gestor ouvido pela revista, o Bitcoin parece estar se movendo em sincronia com as ações tech mais recentemente. “Quando há medo, vemos ambos tipicamente caírem juntos.” 

Mas talvez a pior consequência dessa implosão mais recente é que ela cria um problema reputacional para uma moeda que até anteontem se vendia como “descorrelacionada” de outros ativos e um safe haven em tempos de crise.

Agora, o Bitcoin parece estar se tornando a crise.

Para outros analistas, as criptomoedas são apenas mais uma classe de ativos que está sofrendo uma correção, como é o caso dos metais preciosos, que haviam surfado uma onda de máximas e realizaram ganhos nas últimas sessões.

“A volatilidade está atingindo setores que se beneficiavam da atenção do investidor de varejo e da alavancagem, incluindo o Bitcoin,” um analista disse à Bloomberg

Numa publicação esta semana, Michael Blurry, o investidor que ficou famoso com o filme “The Big Short”, disse acreditar que a extrema volatilidade no ouro e na prata nos últimos dias veio com entusiastas do Bitcoin vendendo posições nos metais para cobrir perdas em cripto.

Para se ter uma ideia de como o movimento tem sido avassalador: com o derretimento recente, o Bitcoin já zerou todos os ganhos que havia tido desde a posse de Donald Trump.