NOVA YORK – Friend or foe?
Esta é a principal dúvida de parte do setor varejista a respeito da evolução dos agentic AI em discussões aqui durante a semana da NRF.
Poucos dias após o anúncio do Universal Commerce Protocol pelo Google, executivos e varejistas ainda tentam entender as implicações para o setor da provável popularização das compras por chatbots de AI.

Afinal, a nova tecnologia pode mudar o jogo: por que um consumidor navegaria em vitrines digitais se sua ferramenta de AI pode recomendar exatamente o que ele precisa?
Segundo um levantamento da Deloitte, as vendas por agentes de AI devem representar 25% do ecommerce até 2030. Para a McKinsey, isso daria cerca de US$ 3 trilhões a US$ 5 trilhões por ano.
Mas grandes oportunidades também trazem grandes riscos: ao mesmo tempo em que se abre uma nova avenida de captação de clientes, alguns varejistas temem que as big techs possam concentrar um poder ainda maior sobre o varejo (como já fizeram com a publicidade).

Não por acaso, a Deloitte fez uma pesquisa com varejistas e 81% deles disseram acreditar que a AI generativa enfraquece a lealdade dos consumidores às marcas.
“Isso vai depender da forma que cada varejista vai se posicionar e se vão criar as próprias ferramentas e usar esses dados para entender ainda mais o cliente,” disse Paulo de Tarso, o sócio-líder da Deloitte para a indústria de consumo.
É o que o Magalu está tentando fazer. O CEO Fred Trajano disse ao Brazil Journal que o agentic AI é inexorável, e que se as varejistas não se mexerem rápido podem ver as big techs monopolizando ainda mais o mercado.
“Nós lançamos o nosso WhatsApp da Lu exatamente para não sermos engolidos por essa tendência e com ótimos resultados de vendas e conversão,” disse Trajano.
Já a Casas Bahia vem conversando diretamente com as big techs para entender o avanço das tecnologias.
“Essas empresas precisam de um laboratório para testar os novos produtos e precisam de muitos dados – que é o que temos,” disse o CEO Renato Franklin.

Segundo ele, essas parcerias vão ser fundamentais no plano da Casas Bahia de se consolidar como a líder do 1P – especialmente nas linhas branca e marrom.
Nos últimos tempos, a Casas Bahia passou a vender seus produtos em outros marketplaces, como o Mercado Livre e a Shopee. Ou seja, a empresa já está mais do que acostumada a vender em outras plataformas.
Fabio Faccio, o CEO da Renner, disse que a empresa está testando diversas ferramentas dentro de casa e que em breve deve lançá-las no mercado.
Para o executivo, há muito catastrofismo quando se fala da AI no varejo.
“Já foram decretadas muitas mortes com o avanço da tecnologia ao longo dos anos. A loja física, por exemplo, não foi substituída pelo digital,” disse.
Para ele, a nova tecnologia “vai ser uma amiga e vai ajudar muito na eficiência”, mas “não vai ser tudo sobre AI.”











