NOVA YORK – Friend or foe?

Esta é a principal dúvida de parte do setor varejista a respeito da evolução dos agentic AI em discussões aqui durante a semana da NRF. 

Poucos dias após o anúncio do Universal Commerce Protocol pelo Google, executivos e varejistas ainda tentam entender as implicações para o setor da provável popularização das compras por chatbots de AI.

Frederico Trajano

Afinal, a nova tecnologia pode mudar o jogo: por que um consumidor navegaria em vitrines digitais se sua ferramenta de AI pode recomendar exatamente o que ele precisa?

Segundo um levantamento da Deloitte, as vendas por agentes de AI devem representar 25% do ecommerce até 2030. Para a McKinsey, isso daria cerca de US$ 3 trilhões a US$ 5 trilhões por ano. 

Mas grandes oportunidades também trazem grandes riscos: ao mesmo tempo em que se abre uma nova avenida de captação de clientes, alguns varejistas temem que as big techs possam concentrar um poder ainda maior sobre o varejo (como já fizeram com a publicidade).

BOOPO RENATO FRANKLIN

Não por acaso, a Deloitte fez uma pesquisa com varejistas e 81% deles disseram acreditar que a AI generativa enfraquece a lealdade dos consumidores às marcas. 

“Isso vai depender da forma que cada varejista vai se posicionar e se vão criar as próprias ferramentas e usar esses dados para entender ainda mais o cliente,” disse Paulo de Tarso, o sócio-líder da Deloitte para a indústria de consumo.

É o que o Magalu está tentando fazer. O CEO Fred Trajano disse ao Brazil Journal que o agentic AI é inexorável, e que se as varejistas não se mexerem rápido podem ver as big techs monopolizando ainda mais o mercado. 

“Nós lançamos o nosso WhatsApp da Lu exatamente para não sermos engolidos por essa tendência e com ótimos resultados de vendas e conversão,” disse Trajano. 

Já a Casas Bahia vem conversando diretamente com as big techs para entender o avanço das tecnologias. 

“Essas empresas precisam de um laboratório para testar os novos produtos e precisam de muitos dados – que é o que temos,” disse o CEO Renato Franklin.

Fabio Faccio

Segundo ele, essas parcerias vão ser fundamentais no plano da Casas Bahia de se consolidar como a líder do 1P – especialmente nas linhas branca e marrom. 

Nos últimos tempos, a Casas Bahia passou a vender seus produtos em outros marketplaces, como o Mercado Livre e a Shopee. Ou seja, a empresa já está mais do que acostumada a vender em outras plataformas. 

Fabio Faccio, o CEO da Renner, disse que a empresa está testando diversas ferramentas dentro de casa e que em breve deve lançá-las no mercado.

Para o executivo, há muito catastrofismo quando se fala da AI no varejo. 

“Já foram decretadas muitas mortes com o avanço da tecnologia ao longo dos anos. A loja física, por exemplo, não foi substituída pelo digital,” disse.

Para ele, a nova tecnologia “vai ser uma amiga e vai ajudar muito na eficiência”, mas “não vai ser tudo sobre AI.”