NOVA YORK – O Google já é onde você pesquisa preços. Agora quer ser também onde você passa o cartão.
A companhia acaba de anunciar o Universal Commerce Protocol (UCP), uma infraestrutura aberta que vai permitir que o consumidor faça toda a jornada da sua compra pela sua ferramenta de AI, o Gemini.
O anúncio aconteceu aqui em Nova York durante a NRF, a maior feira do varejo no mundo.
Construído com a Shopify e os varejistas Etsy, Wayfair, Target e Walmart, o protocolo cria um “idioma comum” para agentes de AI, evitando que cada empresa precise desenvolver integrações próprias para operar no comércio conversacional.
Segundo o CEO Sundar Pichai, o UCP vai funcionar como uma infraestrutura que permitirá aos agentes atuarem desde a recomendação inicial de um produto até o suporte depois da compra – passando pelo checkout.

Funciona assim: imagine que você está pesquisando por um tapete para colocar na sua sala.
Em vez de ir até o buscador do Google fazer a sua pesquisa, você vai até o Gemini e descreve o seu produto ideal – tamanho, onde ele vai ficar, cores preferidas, entre outros detalhes.
A partir dessa informação, o agente vai sugerir diversas opções de lojas conectadas ao UCP. Após escolher o produto, o cliente poderá finalizar a compra no próprio Gemini, pagando com o Google Pay.
“Em breve, vocês vão ver um botão de compra diretamente nas plataformas do Google,” disse Pichai.
Os varejistas brasileiros aqui na NRF receberam a notícia com espanto, ainda mais por ter gigantes do setor já fechadas com o Google, como o Walmart e a Target.
“Foi um baque para todo mundo esse anúncio. É um ataque direto à Amazon e que pode mudar o mercado nos EUA,” disse o CEO de uma varejista brasileira.
Será um teste direto para a popularização dos agentes de AI no varejo. Para Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail, a Amazon pode sentir o impacto, já que o comportamento do consumidor é diferente do Brasil.
“Nos EUA, os consumidores vão pesquisar diretamente pela Amazon. Já no Brasil, é normal começar pelo Google,” disse.
A principal dúvida entre os executivos ouvidos pelo Brazil Journal: dominando todo o processo de compra, o Google vai transformar as varejistas em fornecedores invisíveis? O CEO da Alphabet jura que não.
Segundo Pichai, o UCP foi desenhado para preservar a relevância do varejista. Segundo ele, os varejistas poderão, por exemplo, continuar oferecendo preços diferenciados para clientes fiéis e bonificações em programas de loyalty.
Pichai também fez questão de sinalizar que o UCP não nasce como padrão isolado. Segundo o executivo, ele foi desenhado para funcionar com outros protocolos agênticos já em circulação, como Agent Payments Protocol (A2P), Agent2Agent (A2A) e Model Context Protocol (MCP).
Ou seja, outras empresas (tanto varejistas quanto outras ferramentas de AI) podem se conectar à plataforma. Segundo o Google, o UCP já conta com o apoio de 20 empresas (incluindo varejistas e empresas de pagamento, por exemplo).
O anúncio vem num momento em que os assistentes baseados em IA passam a concentrar mais etapas da navegação e da tomada de decisão do consumidor.
Segundo um levantamento feito pela Adobe Analytics, as ferramentas de AI generativa tiveram um aumento de quase 700% no tráfego para sites de varejo durante os feriados do fim do ano. A consultoria, no entanto, não deu detalhes de quantos desses cliques resultaram em compras.











