Em sua primeira carta anual aos acionistas da Berkshire Hathaway, Greg Abel passou várias mensagens de continuidade.
O novo CEO – sucessor de Warren Buffett – disse que irá manter a solidez financeira e a disciplina na alocação de capital que são características da companhia, além de preservar sua cultura de “confiança e integridade” das últimas seis décadas.

Abel destacou as características únicas da Berkshire, que ajudam a explicar seu histórico incomparável em resultados e longevidade: um modelo descentralizado que dá autonomia aos gestores das empresas, um portfólio diversificado de ações supervisionado pelo CEO, e uma operação de seguros lucrativa e geradora de caixa.
Além disso, a estratégia de não recomprar ações ou pagar dividendos.
“A Berkshire é um conglomerado único, intencionalmente projetado para alocar capital de maneira racional e eficiente,” escreveu o CEO.
Abel disse que Buffett – que agora atua como chairman – permanece envolvido no dia a dia e vai ao escritório cinco dias por semana.
Mas deixou claro que o CEO é ele, e tanto os negócios quanto os investimentos em ações estão sob sua responsabilidade.
O lucro da Berkshire – que inclui ganhos e perdas no mercado de ações – teve uma pequena queda no quarto tri para US$ 19,2 bilhões, frente aos US$ 19,7 bilhões do mesmo período de 2024.
No ano fechado de 2025, o lucro caiu 25% para US$ 67 bilhões.
A empresa fez um impairment de US$ 4,5 bilhões de investimentos na Kraft Heinz e na Occidental Petroleum.
Mas a própria Berkshire recomendou aos investidores prestar pouca atenção a esses números.
“O montante de ganhos (ou perdas) com investimentos em qualquer trimestre específico geralmente não é significativo e produz números de lucro líquido por ação que podem ser extremamente enganosos para investidores com pouco ou nenhum conhecimento das regras contábeis,” disse a empresa no comunicado de resultados.
O lucro operacional foi de US$ 10,2 bilhões no quarto tri, uma queda de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No último tri de Warren Buffett como CEO, o detrator dos resultados foi o negócio de seguros, o principal gerador de caixa da empresa.
O lucro vindo da subscrição de seguros diminuiu 54% no período para US$ 1,6 bilhão. A receita financeira do segmento recuou quase 25% para US$ 3,1 bilhões.
No acumulado de 2025, o lucro operacional da Berkshire somou US$ 44 bilhões, 6% menor que os US$ 47 bilhões do ano anterior.
Nesse período, o lucro de subscrição de seguros caiu 19% para US$ 7,3 bilhões.
A empresa terminou o ano com um caixa de US$ 373 bilhões, um pouco abaixo do recorde de US$ 381 bilhões do final de setembro.











