Edward Weaver, que fez amigos tão numerosos quanto seus clientes em uma longa carreira no mercado financeiro, morreu no dia 12, às vésperas do Carnaval.

Ele havia feito 56 anos na véspera.

Weaver convivia com uma doença autoimune que afetava suas articulações, e nos últimos 10 anos havia passado por algumas cirurgias. Nesta última, teve que retornar ao hospital e não resistiu a uma septicemia. 

“Foi muito triste e inesperado,” disse Gustavo Salomão, contando que o grupo de Whatsapp dos sócios da QMS ficou sem resposta aos cumprimentos por mais um ano de vida – assim como certamente muitas outras mensagens. 

Nascido no Brasil mas filho de pai inglês, Weaver estudou na St. Paul’s School em São Paulo e se formou em engenharia química no Imperial College, em Londres.  

Começou no mercado como trainee do Banco Garantia em 1994 e permaneceu na casa depois da aquisição pelo Credit Suisse em 1998. 

No banco suíço, foi managing director e co-CEO de equities da América Latina, quando teve um papel relevante na retomada dos IPOs na Bolsa brasileira, no ciclo de 2004. 

Weaver “estudou no exterior, tinha um inglês impecável e trabalhava na corretora atendendo os clientes internacionais, principalmente europeus,” lembra Salomão, que trabalhou com Weaver no Garantia e no CS. “Ele ajudou muito a trazer o interesse internacional pela Bolsa brasileira. Várias operações daquela época atraíram grandes investidores internacionais por conta do relacionamento de confiança desenvolvido por ele.”

Marcelo Kayath, amigo e sócio de Weaver por mais de 30 anos, disse que “no meio dos anos 90,  ninguém tinha uma área de distribuição internacional de produtos, e o Garantia deu ao Weaver a tarefa de conseguir clientes em Londres e na Escócia.”

Sem conhecer ninguém, ele passou a visitar Edimburgo, e em menos de um ano abriu um relacionamento com cinco ou seis clientes locais.

“Foi um mercado que ele abriu sozinho, com a simpatia dele. Eu recebi mensagens de dois clientes na Escócia nesses últimos dias lamentando a morte dele e lembrando passagens com ele. E não falava com esses clientes há mais de 15 anos,” disse Kayath.  

“Obviamente ele também conquistou muitos clientes em Londres e em outros países, assim como outros bancos também foram construindo relacionamentos. Mas ele era conhecido como ‘o Rei da Escócia’ porque os investidores de lá só falavam com ele.” 

Num post no Linkedin, Daniel Bassan, country head do UBS no Brasil, lembrou que Weaver sempre vestia terno e gravata impecáveis. 

“Fizemos muitos roadshows juntos. Ele conhecia cada um dos investidores pelo nome, mas principalmente conhecia o perfil deles e o que buscavam. Antes de cada reunião ele falava com o CEO [da empresa] e dava insights diferenciados. Não foram poucas as vezes em que vi um CEO sair da reunião falando: ‘Weaver, você acertou na mosca as perguntas,’” escreveu Bassan.

Weaver insistia para ficarem sempre no mesmo hotel em Londres e, “invariavelmente, quando chegávamos com o cliente, o bellman dizia para ele: ‘Welcome home, Mr. Weaver.’ Pronto. Clientes impressionados. Sempre achei que fosse pela frequência dele em Londres, mas um dia ele, rindo, me contou: ‘Nada Bassan, você não vê as gorjetas que eu dou para eles fazerem isso.’ Conhecendo o Weaver, a gorjeta nem devia ser tão boa assim, mas ele não dispensava roubar um sorriso. Com certeza ele era reconhecido pelo carisma e bom humor.”

Christian Keleti, também contemporâneo de Weaver no Credit Suisse, conta que graças à rotina frenética de IPOs e roadshows, a British Airways reconheceu Weaver como o passageiro que mais tinha voado com a empresa naquele ano – em todo o mundo. “Quando ele chegava para embarcar era tratado como chefe de Estado pela BA,” disse Keleti. 

Low profile, gentil, com um humor sarcástico mas sempre agradável, “não conheço ninguém que tenha tido problema com ele,” disse Salomão. 

Weaver deixou o Credit Suisse em 2016 e, no ano seguinte, junto com colegas do banco – Salomão, André Palmier  e Kayath – criou a QMS Capital, que eles definiam como “um mini private equity”. 

Um dos investimentos da QMS foi na Ada (a antiga Let’s Code), uma edutech focada em empregabilidade. Em outubro, a Ada anunciou uma fusão com a Vivae, a joint venture de educação entre a Vivo e a Ânima. 

Também em 2017, Kayath e Weaver se uniram na Habitat Capital Partners, dedicada a fundos imobiliários. O negócio foi vendido para a XP cinco anos depois. 

Em 2023, Weaver deixou a QMS e fundou a CapSigma, uma gestora dedicada a ações na América Latina, novamente ao lado de outros ex-colegas de CS: Emerson Leite, também ex-Garantia; e Luiz Otavio Campos, um analista de ações do CS entre 2012 e 2022. 

Luiz disse que para alguém que já havia alcançado tanto sucesso na vida profissional e talvez não precisasse mais disso, Weaver seguia motivado e querendo aprender e se tornar um melhor profissional todos os dias. “Ele vai nos fazer muita falta,” disse Emerson. 

Weaver também era dedicado às causas da educação, envolvendo-se em iniciativas da comunidade britânica no País. Foi conselheiro e chairman na St. Paul’s School em São Paulo, da qual se tornou trustee em 2024. Também participou como conselheiro da Fundação Britânica de Beneficência, da Cultura Inglesa e da Fundação St. Paul’s. 

Ed Weaver deixa a esposa, Liz, e os filhos Henry e Phillip.  

Segundo um sócio, a família “era a paixão da sua vida.”