O Méliuz acaba de indicar Camilla Giesecke, uma executiva da fintech sueca Klarna, para seu conselho de administração – adquirindo expertise em ‘buy now pay later’ num momento em que o Méliuz se prepara para entrar nesse mercado. 

Para acomodar a executiva, o Méliuz está criando mais um assento em seu conselho, que passa a ter oito membros. 

No ano passado, a startup já havia nomeado o economista Marcos Lisboa para o board, com o intuito de fortalecer sua estratégia em serviços financeiros. 

A nomeação vem num momento em que a vertical de fintech do Méliuz começa a ganhar tração. Em 31 de janeiro, a startup lançou seu novo aplicativo, que passa a incluir uma oferta de serviços financeiros como cartão de crédito com cashback e uma conta digital completa. 

O rollout do novo app deve chegar a toda a base de 22 milhões de clientes até o final do mês. 

“O ‘buy now pay later’ faz todo o sentido pra gente porque coloca o Méliuz mais perto dos varejistas, ajudando eles a gerar vendas ao mesmo tempo em que oferecemos uma solução nova para os consumidores,” Israel Salmen, o CEO e fundador do Méliuz, disse ao Brazil Journal.

“Já estamos estudando e vendo como implementar isso no Brasil, e a Klarna vai nos ajudar a entender melhor como atuar nessa frente.”

As conversas com a Klarna começaram em meados do ano passado. Há algumas semanas, Israel fez o convite a Camilla e finalizou os detalhes no sábado, na Suécia. 

“Sempre gostei de trocar figurinhas com players que me inspiram,” disse o CEO. “A Klarna vai nos ajudar muito também na parte de internacionalização, que estamos trabalhando com a Picodi.”

Camilla está há quase seis anos na Klarna, onde entrou como CFO. Há um ano, tornou-se a chief expansion officer, ficando responsável pelos novos mercados em que a fintech entrou recentemente e por mapear novas oportunidades de expansão. 

Antes, ela foi vp da Permobil, uma fabricante sueca de equipamentos médicos, e diretora de M&A da Saab, a fabricante de aeronaves militares. Ela também está no conselho do Nordic Corporate Bank e do BHG Group. 

A mudança no board e os planos do Méliuz vem em meio a uma correção brutal do setor de tech que fez a ação do Méliuz mergulhar de R$ 12 no high em julho para R$ 2,20 no fechamento de hoje. 

Israel diz que a queda tem a ver principalmente com fatores exógenos à empresa.

“O que me deixa tranquilo é que eu tenho a visão de dentro de casa. E dentro de casa nunca tivemos um produto tão bom na rua, nunca tivemos o valor em caixa que temos hoje [R$ 550 milhões] e nunca tivemos um time tão grande e bom,” disse Israel. “O preço na tela não quer dizer muito, porque vamos colher o resultado disso no longo prazo, sempre foi assim… Ninguém está aqui para correr 5 quilômetros, é uma maratona.”