A Rede Mater Dei acaba de comprar o Hospital Santa Clara, adicionando a seu portfólio um dos maiores e mais tradicionais hospitais de Uberlândia e consolidando sua posição de dominância na região — um hub estratégico para sua expansão.

A empresa está comprando de 75% a 80% do hospital a um enterprise value de R$ 234 milhões. A dívida do Santa Clara é de apenas R$ 6 milhões. 

A aquisição será paga 100% em dinheiro e inclui também o imóvel onde fica o hospital. A transação implica um múltiplo de R$ 1,35 milhão por leito. 

O Santa Clara — um hospital geral de alta complexidade com 35 especialidades — foi fundado há mais de 70 anos e era controlado por seu corpo clínico, que aprovou a venda para o Mater Dei numa assembleia na quinta-feira passada, às vésperas do Carnaval. 

Após a aquisição, cerca de 80% dos médicos do hospital continuarão sócios da empresa com alguma participação no equity. 

Os sócios que estão saindo por completo são médicos que estão se aposentando ou viúvas e famílias de médicos que já faleceram, o CEO Henrique Salvador disse ao Brazil Journal. 

A aquisição é estratégica para a Mater Dei porque fortalece sua presença no Triângulo Mineiro, onde a empresa está desenvolvendo um hub médico-hospitalar que engloba a região e o Centro-Oeste. 

Neste polo, o Mater Dei já comprou o Hospital Santa Genoveva, também em Uberlândia, e o Hospital Premium, em Goiânia. 

“Em conjunto com o Santa Genoveva e o Premium, vamos criar um hub que vai gerar sinergias geográficas e operacionais bem relevantes pra gente,” disse Henrique. “Além disso, esse é um hospital muito tradicional, com um corpo clínico excelente.”

O Santa Genoveva e o Santa Clara são dois dos hospitais mais relevantes e tradicionais de Uberlândia. Os outros dois são o UMC, adquirido recentemente pela Oncoclínicas, e o Madrecor, que pertence a Hapvida. 

O Santa Clara teve uma receita de R$ 137 milhões nos últimos doze meses encerrados em outubro do ano passado. O Mater Dei não abre o EBITDA, mas Henrique diz que o hospital opera com margem positiva. 

Essa é a sexta aquisição do Mater Dei desde o IPO.

Com ela, o Mater Dei chega a 2.600 leitos, considerando também o Mater Dei Salvador, que vai abrir as portas em maio, e o Porto Dias Quality, que deve ser inaugurado no segundo semestre.

Com as aquisições e a conclusão desses dois projetos greenfield o Mater Dei já vai atingir a meta de expansão que havia prometido em seu IPO, em abril do ano passado. 

Na época, Henrique havia dito aos investidores que pretendia adicionar 1.500 leitos ao portfólio num prazo de cinco anos.

O Mater Dei vale R$ 6,15 bilhões na Bolsa. 

A ação negocia hoje a R$ 15,74, cerca de 10% abaixo do preço em que saiu no IPO.