Numa antiga igreja medieval na Toscana, o físico e cosmólogo Marcelo Gleiser recebe Nilton Bonder neste episódio de The Business of Life.
O estranhamento com o local é imediato. “Meus avós devem estar dando voltas no túmulo deles. O que esses dois judeus estão fazendo nessa igreja aqui?,” disse Gleiser.
A igreja faz parte da Island of Knowledge, uma iniciativa que reúne pensadores, cientistas, artistas e líderes para refletir sobre ciência, cultura e o futuro humano.
Um dos brasileiros mais influentes na ciência contemporânea, Gleiser passou a vida olhando para o céu em busca de respostas para questões profundamente terrenas — inclusive as que marcaram sua própria trajetória.
Criado em Copacabana, Gleiser perdeu a mãe aos seis anos e cresceu marcado por um sentimento precoce de ausência. A partir dali, a busca por transformar a dor em sentido passou a orientar sua vida. “A solidão sempre foi uma coisa próxima.”
O adolescente Marcelo colecionou hobbies: foi campeão brasileiro júnior de vôlei, ao lado de Bernardinho; estudou violão clássico e, na companhia de aposentados, se tornou pescador aos 11 anos. Mais velho, após dois anos cursando engenharia química, decidiu mudar de rumo e ingressou na física, na PUC-Rio.
A decisão o levou ao exterior: doutor pelo King’s College, em Londres, em 1986, e pós-doutor nos EUA, dois anos depois. Virou professor em Dartmouth em 1991.
Desde então, Gleiser se tornou figura nacional. Vencedor de dois prêmios Jabuti – por A Dança do Universo, de 1998, e O fim da Terra e do Céu, de 2001 – Gleiser assinou uma coluna de duas décadas na Folha de S. Paulo. Por seu trabalho em aliar ciência e espiritualidade, tornou-se em 2019 o primeiro latino-americano a vencer o Prêmio Templeton.
Após anos dedicados o grande público encontrar sentido no mundo, Gleiser está próximo de encontrar o seu.
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