A LivUp acaba de levantar R$ 180 milhões numa rodada que vai financiar a ampliação do portfólio da foodtech — que nasceu e ganhou mercado vendendo pratos congelados saudáveis. 

A rodada foi liderada pela Lofoten Capital, o veículo de investimentos de Marcos Amino — que fez carreira como gestor do Discovery Capital, o hedge fund americano — e contou também com Rob Citrone (o fundador do Discovery) e Luiz Otavio Campos, ex-sócio da Onyx Equity Management.

A rodada Série D também permitiu a entrada do Cadonau, um veículo de investimentos da família Jereissati; dos ex-executivos da Ambev Milton Seligman e Ricardo Rolim; e de Christian Egan, até recentemente tesoureiro do Itaú. A ThornTree Capital Partners e a Kaszek Ventures, que já eram investidores, também acompanharam. 

Fundada em 2016, a LivUp passou os últimos anos vendendo pratos congelados saudáveis por um aplicativo e site próprios. O modelo de negócios, apesar de simples, resolveu o problema de muitas pessoas: ter que se preocupar com o que vai ter pro almoço todos os dias. 

A LivUp já tem mais de 150 mil clientes cadastrados na plataforma e faturou cerca de R$ 100 milhões ano passado. 

Durante a pandemia, a startup percebeu uma tendência que acabou dando origem a uma nova vertical: com muitas pessoas cozinhando mais em casa, ela começou a vender também produtos de hortifruti (como ovos, verduras e legumes), carnes e peixes. 

O teste — que começou apenas em São Paulo — deu tão certo que a LivUp quer fazer o rollout da nova operação para todas as cidades em que opera. 

Em setembro, vai habilitar a categoria de “Mercado” para os clientes do Rio de Janeiro, e ao longo de 2022 pretende levá-la para o resto do País. Além disso, a LivUp quer ampliar seu portfólio dos atuais 350 SKUs que tem em São Paulo para mais de 1,5 mil.  

Victor Santos, o CEO e fundador, disse ao Brazil Journal que as novas categorias aumentam substancialmente tanto a frequência de compra quanto o tíquete médio. 

Segundo ele, os consumidores que passam a comprar produtos do “Mercado” gastam 2x mais na plataforma e compram em média de 15 em 15 dias (em comparação a uma frequência anterior de 1x por mês).

“Nossa ideia é criar uma experiência que alie o portfólio de produtos saudáveis de um Whole Foods com a experiência de compra digital e de atendimento de uma Zappos [a marca de calçados e roupas americana que virou referência em CX],” diz o fundador. 

Com as novas categorias, Vitor espera fechar este ano com um faturamento de pelo menos R$ 200 milhões — em grande parte pelo aumento da receita por usuário. 

Além da expansão de portfólio, a LivUp vai usar os recursos da rodada para tecnologia, contratar gente e investir em crescimento, com campanhas de marketing para divulgar a marca e os novos produtos. 

Hoje, a LivUp opera 14 darkstores espalhadas pelo País, onde os pratos congelados são preparados. Para lançar a nova operação de “Mercado”, ela terá que substituir todas essas lojas por centros de distribuição maiores que comportem o estoque de produtos. 

O CFO e cofundador Gabriel Eisencraft diz que esse capex será financiado por dívida com bancos. 

“A partir de 2019, temos conseguido financiar o capex com dívida e usar os recursos das rodadas só para o crescimento,” diz ele. “Mas até 2018, a gente batia nos bancos e eles pediam o imposto de renda dos nossos pais.”