BOSTON – Por muito tempo o price tag de US$ 100 mil por ano para estudar em universidades nos EUA era exclusivo da Ivy League – mas um novo levantamento da Princeton Review mostra que pelo menos 16 instituições já estão nessa marca no ano letivo de 2026-27, somando mensalidade, taxas, moradia e outras despesas.
O crescimento dos custos já começa a mudar a dinâmica das matrículas no país.
Segundo o National Student Clearinghouse Research Center, uma organização que monitora o ensino superior, apesar da alta modesta no total de estudantes de graduação nas universidades americanas no último ano, o crescimento de 1,2% foi puxado por community colleges e universidades públicas.
O relatório mostra que a alta nas matrículas de graduação para community colleges no último ano foi de 3,0%, enquanto nas faculdades públicas foi de 1,4%.
Já as instituições privadas registraram queda nas matrículas, com retração de 12% nas instituições com fins lucrativos e de 1,6% nas sem fins lucrativos.
Outro problema são as restrições na emissão de vistos, que aumentaram desde que o Presidente Trump voltou à Casa Branca.
Entre as medidas adotadas estão novas regras que eliminam o duration of status – que mantinha o visto válido enquanto o aluno tivesse relação com a instituição de ensino – limitam os vistos F-1 e J-1 a quatro anos, e restringem os agendamentos de visto, sem falar nas restrições a países considerados hostis.
No ano passado, o Departamento de Estado disse que o número de novos estudantes internacionais nos EUA caiu 17% em relação ao ano anterior.
Este ano, a queda continua.
Segundo a Common App, uma plataforma especializada em applications para faculdades nos EUA, o número de candidatos internacionais caiu 10%, a maior queda já registrada.
Mas se você consegue resolver a questão do visto, os valores serão o próximo ponto de atenção.
A lista da Princeton Review de faculdades mais caras tem nomes como Duke (US$ 103.975), University of Chicago (US$ 103.821), University of Southern California (US$ 103.162), New York University (US$ 100.998) e Georgetown (US$ 100.864).
Logo abaixo da marca de seis dígitos aparecem Brown (US$ 99.994), Northwestern (US$ 99.375) e Pepperdine (US$ 99.258).
“É preciso analisar isso de maneira regional. Custa mais para manter uma instituição em determinada parte do país, por exemplo,” David Soto, o diretor da The Princeton Review e coautor do relatório, disse ao Brazil Journal.
“Essa marca de US$ 100 mil pode ser bem chocante para algumas pessoas, mas, para dar mais contexto, é preciso olhar para a ajuda financeira disponível para esses estudantes. Você acaba pagando menos do que pagaria talvez na universidade pública do seu próprio estado para estudar numa instituição que tem um grande endowment, capaz de compensar esses custos,” disse Soto.
Nos últimos anos, as principais universidades do país vem expandindo suas ofertas de bolsas, especialmente para famílias de baixa renda. No ano passado Harvard anunciou que não cobrará tuition para alunos de famílias cuja renda anual familiar é de até US$ 200 mil. A medida também foi adotada por MIT, Yale e Penn State.
O financial aid dado pelas faculdades privadas chegou a 57% (em média) do custo total do aluno neste ano acadêmico, segundo a National Association of College and University Business Officers (Nacubo), uma organização que representa mais de 1.700 universidades nos EUA.
“O auxílio financeiro disponível para esses estudantes certamente pode tornar esses US$ 100.000 muito mais acessíveis e viáveis para os alunos e suas famílias,” disse Soto.
Segundo a Princeton Review, a tendência nos EUA é de que, quanto mais cara for a faculdade, mais e maiores bolsas serão oferecidas.
Entre as 16 instituições com preços anuais de seis dígitos, o valor médio das bolsas concedidas a estudantes calouros em 2026-27 varia, em média, de US$ 42.000 a US$ 79.000, segundo o Princeton Review.
“Os dados contam uma história clara: não descarte uma faculdade particular por causa do preço de tabela, porque é muito provável que você receba uma bolsa ou auxílio financeiro dessa instituição,” disse Kara D. Freeman, a CEO da Nacubo.






