Foi mais um ano animal.

A JBS entregou receita e lucro recordes em 2021, com crescimento em todas as unidades de negócio – ao mesmo tempo em que investiu pesadamente para diversificar seu negócio para outras proteínas e geografias.

A receita da multinacional brasileira subiu 30% para R$ 350 bilhões, e o EBITDA ajustado avançou 55% para R$ 46 bilhões. O lucro – de R$ 20,5 bi – foi quase cinco vezes maior do que o do ano anterior, e entrou no patamar dos bancos.  Para efeito de comparação, o Itaú lucrou R$ 27 bi, e o Bradesco, R$ 26 bi no ano passado.

O EBITDA ajustado do quarto tri ficou 11% acima do consenso Bloomberg.

Os resultados marcam o terceiro ano consecutivo de expansão do ROIC – de 12% para 16,5% para 20% e finalmente 24% – que a cada ano se distancia mais do custo de capital da companhia, hoje em 7,5%.

O crescimento no exterior está fazendo o Brasil ficar cada vez menor no contexto da empresa.

A JBS USA – a maior unidade de negócios – respondeu por 40% da receita e 55% do EBITDA. O segundo maior negócio – a Pilgrim’s Pride,  a maior companhia de frango dos EUA e controlada pela JBS – fez 24% da receita e 20% do EBITDA. Já a operação brasileira, que reúne a Seara e JBS Brasil, respondeu por 26% da receita e apenas 14% do EBITDA.

No ano passado, a JBS investiu US$ 2,1 bilhões em sete aquisições, incluindo a Vivera (uma companhia de plant-based) e as australianas Huon (de pescados) e Rivalea (de suínos). A companhia espera que os M&As tragam uma receita incremental de US$ 1,9 bilhão este ano.

“Estamos criando avenidas de crescimento em outras proteínas,” o CEO Gilberto Tomazoni disse ao Brazil Journal. “Temos que ir onde o consumidor vai.”

Uma das principais apostas da empresa são os frutos do mar, que incluem peixes e crustáceos, hoje a proteína mais consumida no mundo e com a maior a taxa de crescimento.

O mundo produz 155 milhões de toneladas de pescados por ano, 120 milhões de toneladas de frango, 100 milhões de toneladas de suínos e 55 milhões de carne bovina.

“O que vamos fazer com o salmão é o que já fizemos com o frango e com os suínos, brigando pela liderança no setor”, disse Tomazoni.

A empresa também está investindo em plant-based e carne cultivada.

“Estamos construindo uma plataforma que vai permitir à JBS navegar momentos de grandes desafios,” disse Tomazoni. “Os mesmos desafios não estão nos mesmos lugares nem nas mesas proteínas o tempo todo.”

O ritmo de aquisições não impediu que a JBS retornasse dinheiro ao acionista – em patamar recorde. Os R$ 17 bilhões que a empresa investiu em crescimento no ano passado (R$ 11 bilhões em aquisições e R$ 5,4 bilhões em expansão orgânica) quase empatam com os R$ 18 bilhões pagos aos acionistas (R$ 7,4 bilhões em dividendos e R$ 10,6 bi em recompras).

“Tudo que temos feito em termos de investimento, crescimento, aquisições e orgânico está revertendo em retornos maiores,” disse o CFO Guilherme Cavalcanti.  “A JBS é uma empresa hoje que oferece para o investidor tanto crescimento, quanto valor.”

A dívida líquida da empresa subiu de US$ 9 bi para US$ 12 bi na comparação anual, mas a geração de caixa fez a alavancagem declinar de 1,58x para 1,46x – o menor patamar da história.

A cobertura de juros (que relaciona EBITDA e despesa financeira) saiu de 7,8x para 11,6x – em outras palavras, apesar da dívida ter aumentando, a capacidade da empresa de servir sua dívida ficou muito maior.

A companhia reduziu o custo médio da dívida de 5% para 4% ao ano, e alongou o prazo de 6 para 8 anos.

Ainda assim, a JBS continua a negociar com um desconto de múltiplo em relação a seu principal concorrente no mercado americano, a Tyson Foods.

Enquanto a Tyson negocia a 6,76x EV/EBITDA, a ação da JBS sai a 4,4x. A empresa, que vale R$ 89 bi na B3, planeja há anos listar seu papel nos EUA como forma de reduzir este gap.

Por enquanto, nem todas as entregas do management conseguiram causar uma expansão significativa de múltiplo. O papel subiu 70% no ano passado, mas, com o EBITDA avançando 55%, o múltiplo ficou quase no mesmo lugar.