O Itaú Unibanco está pagando mais de R$ 1 bilhão por 50% da vertical de fintech da Totvs, que a empresa chama internamente de techfin. 

A transação vai dar origem a uma joint venture – a TOTVS Techfin – que será detida 50/50 pelos dois sócios, e marca o sucesso do CEO Dennis Herszkowicz em criar valor numa vertical que a Totvs inventou há apenas três anos. 

Para o Itaú, a transação significa a aquisição de um canal de distribuição diferenciado, que usa dados das empresas para entender o contexto do cliente e oferecer produtos customizados – e na hora certa.

“Ainda vamos construir as soluções a quatro mãos, mas o grande valor é podermos explorar a qualidade dos dados dentro do contexto do cliente,” Marcos Cavagnoli, o diretor de digital cash management e open finance do Itaú, disse ao Brazil Journal.

“A Techfin é uma camada adicional de software – em cima da solução que a Totvs já oferece – que nos permite ver o fluxo de caixa do cliente em real time,” disse ele. “Se percebermos que ele terá necessidade de caixa em uma semana, por exemplo, isso já é uma informação importante e vamos poder oferecer esse crédito para ele.”

Outro valor está nos dados operacionais dos clientes – tais como planejamento de produção e transporte de materiais – que vão permitir à Techfin aprimorar os modelos de concessão de crédito e outras ofertas de serviços. 

O Itaú fará uma injeção de capital de R$ 200 milhões na JV e vai pagar outros R$ 410 milhões à Totvs. Há ainda um earnout de R$ 450 milhões a ser pago em cinco anos dependendo do atingimento de metas de crescimento e performance da nova companhia. 

A atual operação techfin da Totvs já oferece soluções de pagamento a 30 mil clientes corporativos e inclui a Supplier, a empresa de crédito B2B que ela comprou há dois anos por R$ 455 milhões. 

O plano da JV é ampliar essa oferta de produtos financeiros, começando por crédito, cash management e antecipação de recebíveis. 

A transação avalia a operação techfin da Totvs em cerca de 10% do market cap da companhia, que fechou o dia valendo R$ 22 bilhões, próxima do seu high histórico. 

A vertical techfin respondeu por 6% de toda a receita líquida da Totvs em 2021 (R$ 3,2 bi), e por 7% no quarto tri. A produção de crédito da vertical foi de R$ 9,8 bilhões no ano passado. 

No Bradesco, o analista Otavio Tanganelli disse que “ter o Itaú como sócio dará as operações da techfin a habilidade de ganhar escala num ritmo mais rápido.”

“Do ponto de vista do valuation, vemos a transação como razoável para a Totvs, já que está próxima da contribuição estimada da divisão techfin para a companhia (em termos de NPV) no nosso modelo,” escreveu o analista. “Mas pode haver mais valor adicional a ser destravado, considerando o investimento upfront de R$ 200 mi e a contribuição positiva da expertise e marca do Itaú.”