O pacote de remuneração dos executivos da Intermédica fez justiça a um trabalho muito bem feito.

Quando o time liderado pelo CEO Irlau Machado assumiu a companhia em 2014, ela fazia um EBITDA de R$ 200 milhões; três anos depois, faz mais de R$ 700 milhões.

Mas alguns investidores acham que, de tão generoso, o pacote pode colocar em risco o incentivo do management, que nunca mais será PhD — ‘poor, hungry and desperate to get rich’.

O primeiro plano de stock options — aprovado em outubro de 2014 — deu ao management uma participação de 9,99% na empresa (um percentual que vários gestores dizem ser inédito entre empresas investidas por grandes gestoras de private equity).  O segundo plano, aprovado em fevereiro deste ano, vai colocar mais 1,15% nas mãos do time até 2021, elevando a participação do management para 11,05% da companhia. 

No preço em que saiu a oferta (R$ 16,50 por ação), a posição do management em stock options valia R$ 762 milhões.  Depois da alta de 22% na estreia de ontem, já vale R$ 936 milhões.

Para muitos investidores, a pergunta é, “Como já estão ricos no papel, os executivos estarão incentivados a valorizar ainda mais a empresa?”

“Teoricamente, eles estão totalmente alinhados, mas só a entrega vai demonstrar se a generosidade da Bain foi certa ou se passou do ponto,” diz um gestor que não tem Intermédica nem pretende comprar Hapvida. “O mercado vai prestar muita atenção quando os executivos começarem a vender o papel.”

Além da recompensa imediata, o time de 10 executivos tende a ser um acionista cada vez mais relevante na companhia na medida em que a Bain vender mais ações da Intermédica na Bolsa e pulverizar o capital da empresa.

Os executivos fazem jus às stock options de duas formas:  metade está ligada ao tempo de permanência na companhia (5 anos), enquanto a outra metade está ligada à performance. Neste momento, metade dos 9,99% já estão ‘vested’ e, até outubro do ano que vem, 100% estarão.

A maior parte do bolo vai para Irlau — um veterano do mercado de saúde que liderou a transformação da Intermédica de empresa familiar em negócio listável — e para o CFO Marcelo Marques Moreira Filho.  Marcelo já sabe o gostinho de ficar líquido com um IPO.  Em 2005, então com 34 anos e sócio do Pátria, ele fez o IPO da Dasa, onde trabalhou entre 1999 e 2008.

A Bain também está feliz: só com o que já botou no bolso, ela já multiplicou o capital investido por 1,5x e ainda é dona de 60% da Intermédica.