A IMC — a dona do Viena, Frango Assado e Pizza Hut — acaba de anunciar a venda de 13 lojas no aeroporto do Panamá, uma transação que simplifica a operação da empresa e reduz seu endividamento. 

A venda está sendo feita por US$ 40 milhões (cerca de R$ 210 milhões, ao câmbio de hoje) e envolve também a concessão para operar outras 11 lojas no Terminal 2 do aeroporto do Panamá, que deve ser inaugurado nos próximos meses. 

A venda é significativa para a companhia: ela representa cerca de 40% do market cap atual da IMC, de R$ 558 milhões. 

O comprador é a GCG Group, uma empresa focada em catering com operação em 20 aeroportos na América Central e Caribe.

As lojas que estão sendo vendidas englobam diferentes marcas: de um restaurante Viena a um Frango Assado, de uma cafeteria a uma casa de comida japonesa. Esse portfólio faturou US$ 14 milhões no ano passado, com um EBITDA de US$ 6,6 milhões. 

O múltiplo da transação — 6x o EBITDA do ano passado é ligeiramente acima do múltiplo que a IMC negocia hoje na Bolsa (cerca de 5x o EBITDA de 2021).

O CEO Alexandre Santoro disse ao Brazil Journal que a transação endereça dois dos três pilares estratégicos da IMC: simplificar a companhia e melhorar sua estrutura financeira.

“A IMC cresceu com uma tese de consolidação, comprando vários negócios em vários países diferentes: EUA, Panamá, Colômbia, México, Porto Rico,” disse o CEO. “Ela virou uma empresa com um portfólio vasto mas complexo, com negócios muito diferentes e sem sinergias.”

Desde que o CEO assumiu, no início do ano passado, um de seus mandatos é simplificar essa estrutura deixando a empresa com os negócios mais escaláveis e com sinergias entre si. 

A operação no Panamá “é um negócio bom, com ótimas margens, mas pouco escalável e sem sinergia nenhuma com nossos outros negócios,” disse ele. 

A venda também melhora a estrutura de capital da IMC, que fechou o segundo trimestre com dívida líquida de R$ 300 milhões e uma alavancagem de 2,7x EBITDA.

Segundo o CEO, a IMC deve usar pouco mais da metade dos recursos da venda para quitar dívidas, reduzindo a dívida líquida para cerca de R$ 200 milhões e a alavancagem para menos de 2x. 

“Com o aumento do CDI, o custo da dívida também aumentou muito e vimos que precisávamos buscar uma alternativa para reduzir esse custo.”

Para aprovar a transação, a IMC terá que chamar uma assembleia de debenturistas. Isso é necessário porque uma das cláusulas das debêntures restringe a venda de ativos acima de R$ 60 milhões. 

Na assembleia, a IMC vai pedir a autorização para aumentar o limite das vendas com o compromisso de usar parte dos recursos para pagar os debenturistas. A empresa já tem conversado com alguns debenturistas e a sinalização é de que a aprovação vai passar com folga. 

O CEO disse que a IMC também tem estudado vender seus ativos na Colômbia caso “encontre uma proposta que faça sentido.” 

Depois de simplificar a empresa e reduzir a alavancagem, o plano da IMC é acelerar a expansão de suas marcas principais, com foco no Frango Assado, KFC e Pizza Hut.

Segundo Alexandre, há potencial para pelo menos triplicar o tamanho do Frango Assado, que tem apenas 26 lojas hoje. “Só em São Paulo mapeamos mais de 1.000 postos de gasolina com potencial para ter um serviço de alimentação,” disse ele.