Depois de perder a confiança dos investidores no Brasil, a Iberdrola deveria fazer uma OPA e tirar a Neoenergia da Bolsa, diz o Citi.

O banco diz que a Neoenergia é uma das empresas mais baratas do setor, negociando a uma TIR acima de 12% – contra uma NTN-B longa de 5,6% – e recomenda ‘compra’ com preço-alvo de R$ 29. O papel fechou a R$ 17,28 antes do feriado.

“Acreditamos que o grupo de controle da Neoenergia provavelmente fará uma OPA por todas as ações listadas e cancelará o registro. … Essa OPA (mesmo que a um prêmio razoável sobre os preços de hoje) parece ser a melhor alocação de capital que o controlador da empresa poderia fazer,”  escreveu o analista Antônio Junqueira. 

Em dezembro, a Neoenergia chocou o mercado ao renovar por 10 anos um acordo pelo qual paga royalties à Iberdrola. O acordo inclui uma remuneração à Iberdrola pelo uso de sua marca e por benefícios comerciais que a Neoenergia obtém dado o procurement global da holding espanhola.

O formato e o timing do anúncio – no apagar das luzes do ano – enfureceram o mercado e derrubaram a ação. 

A Neoenergia disse que o pagamento anual será equivalente a 0,9% de sua receita líquida ajustada – cerca de R$ 160 milhões/ano – e substitui contratos de partes relacionadas que somavam R$ 130 milhões por ano, segundo estimativas do mercado.

“A nosso ver, o controlador deveria fazer uma oferta por todas as ações da Neoenergia dada sua posição sobre os royalties, uma percepção equivocada dos minoritários sobre a alocação de capital da empresa, e um valuation muito barato,” diz o relatório do Citi.

O risco do call:  a Iberdrola deixar o ativo continuar se desvalorizando, para fazer uma oferta mais abaixo, e mais à frente.

A Iberdrola controla a Neoenergia com 52% do capital. A Previ é o segundo maior acionista, com 30% de participação e dois assentos no conselho.