O controlador da Hypermarcas, João Alves de Queiroz Filho, disse que está aumentando sua participação na empresa em 3,9 pontos percentuais, comprando as ações de seus irmãos e transferindo para si ações que estavam em outro veículo.
 
A Hypermarcas anunciou hoje à noite que Júnior, como o empresário é conhecido, passou a deter 99,49% da Igarapava, o veículo dono de 20,1% do capital da Hypermarcas.
  
Até agora, os outros acionistas da Igarapava eram dois irmãos do empresário — Cirillo Marcos Alves e Maria Esmeralda Alves de Queiroz Bertuccelli, cada um com 6,6% — e a Monte Cristalina, empresa de participações de Júnior.
 
Além de comprar a participação dos irmãos, o comunicado da empresa sugere que Júnior transferiu para a pessoa física os 44% da Igarapava anteriormente detidos pela Monte Cristalina.
 
Este movimento, em particular, remove uma camada societária entre o empresário e a Hypermarcas — um passo que pode ser interpretado no mercado como preparatório para uma grande fusão ou venda da companhia farmacêutica, que vale quase R$ 18 bilhões na Bovespa.
 
No entanto, o comunicado ao mercado publicado pela companhia ainda requer esclarecimentos. A compra da participação dos irmãos não se traduz num aumento da participação ‘direta e indireta’ do empresário dos 3,9 pontos divulgados, já que a participação da Monte Cristalina, por já ser uma participação indireta, não deveria aumentar a participação do empresário. 
   
Nos últimos anos, a Hypermarcas deixou de ser um conglomerado de marcas em negócios diversos para se tornar a maior farmacêutica brasileira pura.  Muitos investidores consideram que o ‘grand finale’ em sua narrativa de geração de valor será sua venda para uma farmacêutiva internacional a um prêmio substancial sobre o valor de mercado.
 
Semana passada, a Hypermarcas anunciou que vai retornar R$ 800 milhões a seus acionistas, um sinal de que a empresa não pretende fazer aquisições no curto prazo.