A VERT – securitizadora, gestora e DTVM – sofreu uma invasão hacker na última terça-feira que resultou na retirada de cerca de R$ 50 milhões das contas de 18 fundos sob sua administração, fontes a par do assunto disseram ao Brazil Journal.

Victoria de Sá, sócia e fundadora da VERT, disse que os valores ainda estão sendo apurados por especialistas externos contratados pela empresa.  

“Tivemos transferências indevidas de conta, mas a invasão não foi em nossos sistemas internos. A investigação técnica e criminal está apurando os valores, e a nossa prioridade é dar andamento ao ressarcimento aos clientes,” disse Victoria. 

No dia do ataque, o sistema de segurança da empresa enviou alertas sobre a ocorrência e a empresa acionou os protocolos do plano de contingência. O sistema foi isolado e o foco identificado.

No dia seguinte, a VERT já voltou a operar normalmente. “Um percentual mínimo de contas foi afetado,” disse Victoria. Não há previsão de conclusão das investigações.  

A VERT publicou um comunicado em seu site no dia da invasão dizendo que havia identificado “um incidente de segurança que resultou em movimentações não autorizadas em determinadas contas correntes de suas operações.” Houve bloqueio preventivo das contas afetadas. O comunicado dizia que não houve evidências de invasão aos seus sistemas internos, vazamento de informações pessoais ou de dados sensíveis de clientes. 

As apurações iniciais indicam que a invasão teria acontecido via um provedor de uma prestadora de serviços de conexão bancária, lembrando o ataque sofrido por outra fintech, a BMP, em julho do ano passado. 

“A VERT está atuando de forma super correta e transparente e deve ter uma posição sobre o ressarcimento semana que vem,” disse o gestor de um fundo afetado pelo problema. “Mas essa é uma indicação de risco relevante na indústria. O dinheiro foi retirado da conta de terceiros. Poderia ter sido muito mais.” Segundo este gestor, a VERT é uma das empresas com os melhores sistemas e tecnologia do setor.

A VERT tem três sócias – além de Victoria, Martha de Sá e Fernanda Mello – e nasceu como securitizadora em 2016, com foco em operações de certificados de recebíveis agrícolas e imobiliários. Dois anos depois passou a atender também fintechs. Em 2019 veio a gestora e, em 2023, a DTVM.

A VERT já securitizou mais de 450 operações, que somam R$ 125 bilhões; e tem R$ 80 bi sob gestão/ administração.