O Presidente Bolsonaro acaba de indicar Adriano Pires como o novo CEO da Petrobras, colocando na cadeira mais quente do País um especialista com décadas de trabalho no setor de energia.

A nomeação coloca no comando da empresa de economia mista um homem avesso ao intervencionismo e defensor histórico de soluções de mercado.

Desde que voltou da França em 1988 com um PhD em economia industrial pela Sorbonne, Adriano fez sua carreira primeiro como professor universitário e em seguida como um dos consultores mais prestigiados do setor de energia, com interlocução direta com controladores e CEOs.  

No final dos anos 90, Adriano passou brevemente pelo setor público quando trabalhou por dois anos como superintendente de abastecimento da ANP.

O indicado tem amplo trânsito no mercado, no Congresso e na imprensa, e um relacionamento próximo com o Ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, o responsável pela indicação.

Dado seu histórico, é improvável que o indicado rasgue sua biografia fazendo o controle de preços que tem sido o grande temor do mercado.

Em vez disso, a aposta do Planalto é que, em meio a preços recordes do barril, Adriano será capaz de comunicar melhor com o mercado e a sociedade o papel da Petrobras.

Nos últimos 20 anos, Adriano se tornou uma fonte de referência para repórteres, colunistas e agentes do mercado, destrinchando assuntos complexos como a estrutura de preços dos combustíveis, o desafio da transição energética, as entranhas do mercado de gás e o constante flerte do País com o racionamento de energia. 

Adriano está indicado para substituir Joaquim Silva e Luna, o general da reserva que foi ministro da Defesa e diretor-geral de Itaipu antes de aceitar a missão na Avenida Chile.  Quando assumiu o cargo, o general sofreu a desconfiança do mercado, temeroso de que ele fora para lá apenas para ‘cumprir ordens’ e mudar a política de preços. No final, o único regimento que o general cumpriu foi a governança da empresa, que saiu ainda mais fortalecida.