Quer surfar o boom dos data centers nos Estados Unidos?
Compre Gerdau.
É essa a visão do UBS BB, que publicou um relatório elevando o preço-alvo da ação, aumentando suas projeções para o resultado e reiterando a recomendação de ‘compra’ para o papel, que é o top pick do banco no setor.
A tese central do analista Caio Greiner é que o mercado pode estar subestimando o potencial de geração de caixa da siderúrgica nos EUA, onde a expansão dos data centers de inteligência artificial deve sustentar a demanda por aço e manter as margens em patamares elevados.
Para ele, o mercado está excessivamente focado nos riscos do lado da oferta – com um potencial aumento da capacidade e das importações –, mas “o crescimento da demanda provavelmente continuará superando qualquer pressão sobre a oferta.”

O analista disse que o segmento de vigas e barras comerciais (MBQ, na sigla em inglês) nos EUA está se beneficiando de tendências estruturais no mercado de construção não-residencial, e que a expectativa é que a demanda permaneça elevada nos próximos trimestres e anos.
“O consumo aparente desses dois produtos cresceu cerca de 6,5% no acumulado do ano, apesar de uma queda de cerca de 1% nos gastos totais com construção não residencial. Essa divergência reflete, em parte, a força dos data centers, um segmento intensivo em aço longo, cujos gastos com construção nos Estados Unidos cresceram 75% na comparação anual em agosto,” escreveu o analista.
“Embora os data centers representem apenas cerca de 5% dos gastos com construção não residencial nos EUA, os produtos da Gerdau têm maior exposição a esses segmentos de construção pesada.”
O UBS disse ainda que espera que os investimentos dos grandes provedores de serviços em nuvem (hyperscalers) acelerem até 2027 – com o início de novas construções avançando cerca de 200% –, o que pode sustentar um crescimento adicional da demanda pelos produtos da Gerdau.
“Na nossa visão, essa aceleração do consumo deve ser suficiente para absorver a entrada de nova capacidade e o aumento das importações, mantendo as margens da Gerdau em patamares elevados.”
No relatório, o UBS elevou seu preço-alvo de R$ 31 para R$ 35 e ampliou suas projeções para o EBITDA deste ano e do ano que vem.
Agora, o banco espera que a Gerdau faça um EBITDA de R$ 13,9 bilhões este ano, 3% a mais que a projeção anterior, e de R$ 15,2 bi em 2027, 8% a mais. A revisão reflete a perspectiva mais favorável para a operação na América do Norte, cuja margem EBITDA esperada para 2027 subiu de 24% para 26,4%.
Após a reeleição de Lula, o banco também mudou sua premissa para o câmbio – e agora espera um dólar a R$ 5,40 – o que beneficia os resultados da Gerdau.
Nas contas do UBS, a Gerdau negocia a 3,5x o EBITDA estimado para 2027, com um free cash flow yield de 14%.
A companhia vale R$ 47,8 bilhões na B3, com a ação subindo 33% nos últimos doze meses. Hoje o papel sobe 6,5% em mais um dia de queda do Ibovespa.





