A Future Climate e a Pachama acabam de anunciar a criação da Originals, uma joint venture focada em restauração florestal e remoção de carbono.
O negócio vai combinar os portfólios de projetos de restauração da empresa brasileira com os da californiana, somando cerca de 12 mil hectares e com potencial de geração superior a 5 milhões de créditos de carbono em cinco anos.
A própria Originals estima este portfólio em R$ 300 milhões em valor presente.

“Essa JV pode ser o kick-off de uma tendência de consolidação, aproximando o capital global das plataformas operacionais locais,” Fábio Galindo, o fundador da Future Climate, disse ao Brazil Journal.
A Pachama – mais conhecida por sua plataforma tecnológica de geração e monitoramento de créditos de carbono florestais – tinha investidores como a Breakthrough Energy Ventures (de Bill Gates) e a Amazon Climate Pledge Fund (ligada a Jeff Bezos).
Mas no fim do ano passado, a Pachama foi comprada pela Carbon Direct, que também atua no gerenciamento de créditos de carbono. Após o M&A, a decisão foi fazer o split do negócio de restauração florestal – o que fez a Future Climate se interessar pelo ativo.
Segundo Galindo, foi o mesmo caminho escolhido pela Future Climate: a companhia também vai manter separada sua operação de consultoria climática para grandes empresas.
O executivo, um ex-chairman da Aegea, disse que a Originals terá vida própria, com governança e plano de negócios independentes – mas ainda não foi definido um nome para tocar a operação.
A estratégia de crescimento continuará baseada no modelo asset light, ao contrário de players mais verticalizados como a Mombak e a re.green.
Na prática, a empresa estrutura o projeto, encontra um comprador para os créditos (o chamado off-taker) e só então inicia a implementação, muitas vezes com financiamento antecipado do próprio cliente.
“Nós fazemos o design do projeto, encontramos o comprador e, a partir do contrato de longo prazo, mobilizamos o projeto,” disse Galindo.
Segundo Galindo, o portfólio atual já nasce praticamente financiado.
Cerca de 20% dos 12 mil hectares já estão implantados, e o restante está coberto por contratos de compra de longo prazo, que garantem o funding da expansão inicial.
Mas Galindo quer expandir rápido.
A companhia pretende mais que dobrar o tamanho da operação até 2035, chegando a cerca de 25 mil hectares, concentrando esforços em clusters onde já atua – especialmente na Mata Atlântica e em regiões do México.
O timing do movimento pode parecer contraintuitivo.
Nos últimos anos, o mercado de créditos de carbono sofreu uma crise de credibilidade, com questionamentos sobre a qualidade de alguns projetos.
Mas, segundo Galindo, o setor passou por um “flight to quality”.
Créditos de maior integridade – especialmente os de remoção de carbono baseados na natureza – estão entre os mais demandados do mercado, com um forte interesse de empresas de tecnologia e energia.
“Esse é o sweet spot do mercado hoje,” disse ele.











