A indústria de fundos de investimento teve captação líquida recorde de R$ 369 bilhões em 2021, dobrando o resultado de 2020, segundo dados da Anbima.  

A entidade disse não saber de onde veio essa enxurrada de recursos, deixando a especulação recair sobre dois suspeitos:  os depósitos à vista (com o brasileiro ousando se aventurar além da poupança) e o fato do brasileiro ter economizado durante a pandemia.

A captação líquida ficou 167% acima da média histórica anual de R$ 138 bilhões dos últimos dez anos – antes de 2021, o segundo melhor resultado foi em 2017, quando a indústria captou R$ 260 bilhões de 2017. 

O PL da indústria encerrou o ano em R$ 6,9 trilhões, com alta de 13%. 

Muito por conta da alta da Selic no segundo semestre, os fundos de renda fixa tiveram entrada líquida de R$ 215 bilhões, ou 58% do total captado pela indústria; em 2020, o segmento havia sofrido uma retirada líquida de R$ 38 bilhões.  Os fundos multimercado captaram R$ 60 bilhões, com queda de 42%. 

Em toda a indústria, só os FIPs ficaram com saldo negativo, de R$ 6,2 bi. 

Os fundos de ações conseguiram fechar o ano no azul, mas por pouco: apenas R$ 200 milhões de captação líquida, quase um erro de arredondamento em relação aos R$ 73 bi captados em 2020. 

Performance

Os produtos dedicados a ações foram os únicos a fechar com retorno negativo no ano: os fundos “ações livre” perderam 10,7%;  os small caps, 9,9%; e os que investem no exterior recuaram 2,57%.

Os melhores desempenhos foram dos fundos de renda fixa de “long duration” (que tipicamente investem em títulos mais longos), com retorno de 11,8%; seguidos dos fundos cambiais (+7,6%)  e multimercados que investem no exterior (+5,7%). 

A Anbima também destacou que o PL dos fundos estruturados cresceu 38% e bateu R$ 1 trilhão, divididos entre FIIs (20%), FIPs (53,8%) e FIDCs (26,2%). 

Pedro Rudge, diretor da Anbima, disse que o número robusto na captação demonstra que a indústria tem conseguido oferecer cada vez mais produtos diversificados e do interesse dos clientes. Segundo ele, no primeiro semestre do ano passado, os investidores procuraram alternativas em produtos estruturados que oferecem rentabilidade maior e são mais arriscados. Mas no segundo semestre, o conservadorismo prevaleceu, em linha com a alta dos juros. 

Rudge disse que não vê a corrida para a renda fixa como um passo atrás no processo de diversificação de investimentos dos últimos anos. “É muito mais um rebalanceamento de portfólio, o que é normal quando algum indicador tem comportamento muito forte, como aconteceu com a Selic,” disse. 

No ano passado até novembro, o número de “contas” – cada produto que recebe um investimento – subiu 20% para 30,5 milhões e o número de gestoras teve alta de 15%, para 817.