A Estapar está fundindo sua empresa de recarga de carros elétricos, a Ecovagas, com a Zletric, uma startup fundada há dois anos e avaliada recentemente em R$ 50 milhões.

A fusão – que deve ser concluída em dois meses – vai criar a maior empresa do setor, com cerca de 500 pontos de recarga em vários estados do Brasil.

A relação de troca será praticamente paritária: os acionistas da Ecovagas terão pouco mais de 50% da nova empresa, e os acionistas da Zletric, o restante.

Hoje, o único acionista da Ecovagas é a Estapar, mas a Enel X, a empresa de inovação da multinacional italiana, tem uma opção de compra de uma fatia do negócio.

Os principais acionistas da Zletric são os fundadores Pedro Schaan e Tarik Totthoff, mas a startup tem centenas de investidores de varejo que compraram uma participação no ano passado, numa rodada na Captable. 

A complementaridade das duas empresas é clara: enquanto a Zletric tem focado no B2C, cobrando direto do consumidor final num modelo de assinatura, a receita da Ecovagas vem basicamente do B2B.

A empresa tem contratos de médio prazo (cerca de cinco anos) com a Volvo e a Stellantis, a holding dona da Peugeot, Fiat e do Jeep. As duas montadoras pagam para que a Ecovagas disponibilize a recarga gratuita para seus clientes. 

A visão da Ecovagas e da Zletric é construir uma infraestrutura robusta de estações de recarga enquanto o mercado ainda não explodiu no Brasil. Quando isso acontecer, elas terão uma posição dominante.

A aposta das empresas é que a transição para o carro elétrico vai acontecer antes do que muita gente espera.

“A expectativa no mercado é que a indústria de carros elétricos tenha um turning point importante por volta de 2030, quando metade dos carros vendidos no mundo devem ser elétricos ou híbridos,” André Iasi, o CEO da Estapar, disse ao Brazil Journal. “Achamos que esse movimento deve acontecer antes. Está acelerando muito rápido, e a covid aumentou a preocupação das pessoas com meio ambiente.”

A expectativa das duas empresas é chegar a 1.000 pontos de recarga até o final deste ano. 

Schaan, o fundador da Zletric, será o CEO da nova empresa, e a Estapar terá a presidência do conselho.

Ainda não está decidido qual marca será mantida, mas a ideia é integrar toda a infraestrutura numa única plataforma. 

Para o fundador da Zletric, a transação de hoje é um game changer. 

“Esse negócio precisa de três verticais muito importantes para dar certo: location, tecnologia e energia,” disse Schaan. “Já tínhamos a tecnologia, e agora resolvemos numa tacada só os dois outros problemas: passamos a ter acesso às localizações premium da Estapar e à expertise em energia da Enel X.”

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Em outra transação no setor, a Raízen disse hoje que está investindo R$ 10 milhões na Tupinambá Energia, que também opera com pontos de recarga de veículos elétricos. 

A Tupinambá tem 100 estações de recarga e pretende chegar a 1.000 até o final do ano. 

Mas os R$ 10 milhões não vão financiar essa expansão, e sim o investimento da empresa em software. 

O CEO Davi Bertoncello disse que para financiar a compra do hardware a Tupinambá vai estruturar produtos de dívida, como debêntures, em conjunto com a Raízen.

A rodada é a primeira da empresa, que nasceu em 2019 com o investimento de family & friends. 

A Tupinambá opera num modelo B2B2C. Ela aluga as estações por assinatura principalmente para donos de imóveis, que têm oferecido a solução como um benefício para os clientes.