A Equinor está iniciando a campanha de perfuração no projeto de Raia, no pré-sal da Bacia de Campos — o maior investimento do grupo norueguês fora de seu país, orçado em US$ 9 bilhões.

Em paralelo, a companhia acaba de anunciar a aquisição de um projeto eólico no Rio Grande do Norte por meio da controlada Rio Energy, reforçando a aposta no Brasil também no segmento de energia renovável.

Em Raia, que produzirá principalmente gás, a Equinor será a operadora e terá como parceiras a Petrobras e a Repsol Sinopec Brasil. Serão perfurados seis poços, com o início de operações previsto para 2028.

No projeto eólico, comprado da dinamarquesa Vestas, as obras começarão no terceiro trimestre, com o começo da produção também em 2028.

O avanço nesses dois empreendimentos vem pouco após a Equinor vender a totalidade de sua participação de 60% no campo de Peregrino à PRIO, em duas transações em separado. A última delas, envolvendo 20% do ativo, está em fase de closing.

As negociações para sair de Peregrino ocorreram enquanto a Equinor iniciava a operação de Bacalhau, em outubro de 2025.

Localizado na Bacia de Santos, Bacalhau é o maior campo internacional da norueguesa, com uma produção de 220 mil barris diários e tendo como sócias também a ExxonMobil e a Petrogal Brasil. 

Agora, o navio-sonda DS-17, o mesmo usado em Bacalhau, foi deslocado para Raia, um projeto que compreende três descobertas do pré-sal: Pão de Açúcar, Gávea e Seat.

A campanha de perfuração está sendo realizada em lâminas d´água de cerca de 2,9 mil metros. 

As reservas recuperáveis de gás e óleo/condensado de Raia superam 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe), e o projeto terá capacidade de exportar para a costa 16 milhões de metros cúbicos por dia em gás, o que poderá representar 15% da demanda brasileira.

O navio plataforma (FPSO) terá capacidade para 126 mil barris por dia em óleo/condensado, e o gás será escoado por um gasoduto de 200 quilômetros que ligará o FPSO a Cabiúnas, em Macaé (RJ).

“Esta é a primeira vez no Brasil que o gás será especificado offshore e entregue diretamente ao sistema de transporte sem a necessidade de instalação de uma planta de processamento. Isso se deve à qualidade dos hidrocarbonetos que serão produzidos no campo,” a Equinor disse em uma nota sobre o projeto.

Se Raia se destaca pelo porte e pelo diferencial de não exigir planta de processamento, o investimento em energia eólica da Equinor chama atenção pelo momento do mercado de renováveis local.

Nos últimos anos, com usinas eólicas e solares sofrendo cortes de produção forçados, o chamado curtailment, devido ao excesso de produção em diversos momentos do dia, houve raros anúncios recentes de projetos no setor.

O parque da Rio Energy, que terá 230 megawatts em capacidade, terá a produção negociada no mercado livre de energia pela Danske Commodities, comercializadora do próprio grupo Equinor. 

“É esperado que o complexo Esquina do Vento gere retornos de dois dígitos,” disse a companhia em nota.

A CEO da Equinor no Brasil, Veronica Coelho, disse que o País é “uma área estratégica” para o grupo.

A norueguesa adquiriu a Rio Energy da gestora americana Denhan Campital em 2023, por um total de R$ 3,5 bilhões, incluindo dívidas. 

A transação envolveu um múltiplo de EV/EBITDA de 13x, evidenciando como o mercado de renováveis estava aquecido na época, meses antes de o problema do curtailment começar a assombrar o setor.

O curtailment tornou-se significativo – e crescente – depois que um apagão em agosto de 2023 fez o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ficar mais conservador no acionamento de usinas eólicas e solares, para evitar sobrecargas na rede.

Cada vez maiores desde então, os cortes de geração impactaram a receita de geradores renováveis em cerca de R$ 6 bilhões em 2025, reduzindo o apetite por investimentos em novos projetos e M&As. 

O anúncio da Equinor, além de novos projetos recentes da Casa dos Ventos, de Mário Araripe, mostram “um movimento ainda meio tímido” de retomada, uma fonte do setor disse ao Brazil Journal.

Os investimentos, no entanto, sinalizam que as eólicas devem começar a se recuperar antes das solares, disse a fonte. Isso porque o pico do curtailment vem no meio da tarde, quando a geração de usinas fotovoltaicas – e de placas solares em telhados – está a toda carga.