A fabricante de snacks Dori Alimentos conseguiu manter crescimento e lucratividade em 2021, apesar do forte aumento de custos por conta da inflação dos insumos na pandemia. 

A empresa – dona das marcas Dori, Pettiz, Gomets, Bolete, Yogurte 100, Chococandy e Disqueti – teve receita líquida de R$ 941 milhões ano passado, uma alta de 28,4% em relação a 2020. 

O crescimento foi puxado pelo aumento das vendas – de 12,1%, para 98,9 mil toneladas de produtos – e um repasse de preços da ordem de 15,4% que ajudou a compensar a inflação de insumos.  

A Dori reportou EBITDA recorde de R$ 132 milhões, com alta de 24%; e o lucro líquido cresceu 17% para para R$ 71,4 milhões.  O ROIC passou de 17,6% em 2020 para 19% em 2021. 

“As pesquisas estão mostrando que as novas gerações estão cada vez mais demandando os snacks, que são produtos para serem consumidos entre as refeições,” o CFO Ronald Domingues disse ao Brazil Journal. 

Segundo ele, esse comportamento tem a ver com a praticidade e também com uma postura de comer, por exemplo, um snack saudável para reduzir o apetite na hora da próxima refeição. 

Na pandemia, as empresas do setor também observaram mais demanda por esses produtos como uma “recompensa”.  

A Dori tem uma plataforma de snacks com mais de 320 SKUs, divididos em três categorias: os saudáveis de amendoim (proteína vegetal); os doces e os de chocolate. 

Além de ajustar preços, a empresa costuma fazer a gestão das gramaturas e consegue alterar o tamanho das porções em função dos canais de distribuição ou da demanda. Mais recentemente, tem crescido a procura por pequenas porções e produtos drageados, como uma “indulgência”, diz o CFO.  

Num mundo que cada vez mais fala em alimentação saudável, a Dori vem investindo além da linha da proteína vegetal em produtos sem adição de açúcar e também veganos, como as balas de goma. 

A empresa vende os snacks em mais de 154 mil pontos de venda no varejo e atacarejo no Brasil, e está em mais de 50 países com parcerias B2B com grandes players nacionais e internacionais. As exportações são 12% da receita. 

O mercado de snacks no Brasil é estimado em R$ 70 bilhões. 

A Dori tentou um IPO ano passado, mas a operação acabou cancelada por conta das condições de mercado. 

A empresa buscava cerca de R$ 1 bilhão – parte dos recursos reforçariam a estrutura de capital e parte daria saída à Acon, o private equity americano que investiu na empresa há cinco anos e tem 30,5% da companhia. 

A Dori foi fundada em Marília, interior de São Paulo, há 54 anos, e é controlada pela família Barion. 

No ano passado, a empresa reduziu sua alavancagem. A relação entre a dívida líquida e o EBITDA saiu de 2x para 1,5x, e a empresa encerrou o ano com R$ 100 milhões em caixa.

Ronald diz que ainda este ano a Dori deverá alongar o prazo e reduzir o custo de sua dívida com uma operação no mercado de capitais.