Em outubro, Juliana Paes desembarcou em Milão para provar o look que a consagraria como a mais celebrada rainha de bateria deste Carnaval carioca, à frente da campeã, Unidos do Viradouro.

A escola se apresentou na segunda-feira, dia 16, atingiu pontuação máxima na apuração e retornou à Sapucaí no sábado para o desfile das campeãs. (Em 7 de março, repetirá a festa no Centro de Niterói.)

O figurino da atriz nasceu de uma colaboração inédita entre o barracão da escola de samba e a dupla Domenico Dolce e Stefano Gabbana. “O que conseguimos realizar foi bonito demais, o verdadeiro significado de uma collab, que é quando duas experiências se unem para realizar um trabalho,” Juliana disse ao Brazil Journal.

A sandália feita em Olaria voou até Milão para ser adornada pela grife; as ferragens desenvolvidas no barracão também viajaram para receber acabamento na Itália, enquanto o croqui desenhado por Tarcísio Zanon, o carnavalesco da Viradouro, passou para as mãos dos designers e ainda retornou ao Brasil para os ajustes finais alinhados ao enredo. “Presenciamos uma junção de inteligências, de desejos, de sonhos,” disse Juliana.

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Confeccionada manualmente por mais de 13 artesãos ao longo de 250 horas, a fantasia é composta por um sutiã ricamente adornado com motivos em formato de coração e iluminado por detalhes florais. O conjunto vem arrematado por cascatas de correntes de cristais que envolvem a calcinha, igualmente cravejada.

Uma imponente capa de veludo de seda evoca cortinas teatrais, enquanto uma construção arquitetônica adornada com escamas douradas e pedraria sustenta um impactante leque de plumas vermelhas de reuso, resgatadas do acervo da própria Viradouro. Para selar o visual, foram incorporados um colar statement de cristais, sandálias douradas bordadas, adereço de cabeça em formato de coroa em filigrana dourada com gemas e cristais, além de maxi brincos.

Do lado italiano do processo criativo, Domenico e Stefano mergulharam em seus arquivos, resgatando referências da icônica coleção verão 2005, que homenageava a cultura jet-set e a fotografia de moda dos anos 1970, sob as lentes de Richard Avedon e Irving Penn. Também fazia conexão com os estilos boho-gipsy e safari-glam traduzidos em animal print, espartilhos, pedrarias, bordados florais e cores exuberantes em contraste com tons terrosos.

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“O Carnaval do Rio é um evento extraordinário, uma explosão de cores, energia e positividade, que nasce do esforço conjunto de milhares de pessoas unidas pelos mesmos valores. Para nós, é realmente maravilhoso fazer parte disso,” disseram os designers.

A paleta escolhida – prata, dourado e vermelho – dialoga com o branco e vermelho da escola de samba e com o universo cromático da maison italiana. A opulência e o rigor artesanal típicos de sua alta moda encontraram eco na riqueza minuciosa das fantasias que atravessam o Sambódromo.

Embora tenha sido a estreia da Dolce & Gabbana no universo carnavalesco, a expertise não foi um desafio para o ateliê milanês, especializado em técnicas manuais sofisticadas, como a corseteria. “Quando duas potências se unem a vitória tem mais sabor! O artesanato brasileiro com a alta moda italiana deram muito samba,” disse o stylist Yan Acioli, que assessora Juliana.

Após um hiato de 17 anos longe do posto, a atriz retornou à avenida para celebrar o mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, que está completando 70 anos e foi protagonista do atual enredo: “Pra Cima, Ciça!”.

“Eu o conheço há muitos anos. Ele não é mestre porque está à frente da bateria, é porque forma gente. Como dizer não para ele?” disse a atriz em suas redes sociais sobre um dos principais nomes do Carnaval carioca. O retorno de Juliana à Sapucaí também atendeu a um desejo do seu pai, falecido em 2024.

A conexão entre Juliana e o pavilhão de Niterói é profunda e anterior à fama. “Antes de ser atriz, eu era uma menina que um dia descobriu um grande amor: a Viradouro. Cresci perto da quadra. Ali, a preocupação era ser eu mesma, feliz e pertencente a algo maior,” relembrou, citando o acolhimento da escola durante a separação dos pais.