A Core AI acaba de levantar uma rodada para expandir sua solução que usa inteligência artificial para criar modelos de crédito que aumentam a taxa de aprovação mantendo a inadimplência baixa. 

A captação de US$ 4,1 milhões foi liderada pela 14B (uma das gestoras que surgiu da cisão da Upload Ventures), com a participação das brasileiras Big Bets e Nameless, além da BFF, uma gestora de Nova York.

A rodada também contou com investidores-anjo que já estavam no captable da startup, incluindo os fundadores da Stone, André Street e Eduardo Pontes, e Fersen Lambranho, da GP Investimentos.

A Core AI foi fundada no ano passado por Enrico Francesco e Fernando Martins, que trabalham juntos há mais de oito anos. Os dois são programadores e se conheceram ainda na faculdade quando Fernando fundou uma HR Tech, a Preparo, que ajudava empresas a contratar estagiários. Enrico foi o primeiro funcionário da startup. 

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Depois de vender o negócio, os dois foram trabalhar na Stone, onde lideraram as áreas de data science, analytics e machine learning

A Core AI opera como uma camada intermediária entre o cliente final e empresas de banking as a service como a QI Tech, Celcoin e Stark Bank, fazendo o que os fundadores chamam de ‘last mile’ do crédito.

“Essas empresas de BaaS oferecem a habilidade de oferecer crédito, mas não a expertise para analisar dados e criar o melhor modelo de crédito possível. Então, mesmo com a infra, muitas empresas que querem começar a dar crédito não tem o know how e não sabem como operar,” disse Enrico.

“O que fazemos é montar toda a esteira de crédito para os clientes usando inteligência artificial e dados de comportamento de seus clientes que são muito mais ricos.”

Segundo ele, quando uma empresa se pluga num BaaS, ela tem acesso aos birôs de crédito e cria suas regras de aprovação com base nisso. “Mas esses modelos não aproveitam todos os dados que as empresas têm. Uma imobiliária, por exemplo, tem todos os dados transacionais de aluguel, que são dados muito ricos e que precisam ser incorporados nos modelos.”

A Core AI opera em parceria com as empresas de BaaS: ela se pluga à infraestrutura dessas fintechs. Os fundadores dizem que conseguem criar uma esteira de crédito em menos de um mês – e com um modelo que, segundo eles, gera uma taxa de aprovação maior e uma inadimplência menor. 

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A startup se remunera com um mix de um take rate fixo e uma participação nos resultados. Na prática, o cliente pagará um custo adicional ao que pagaria se se plugasse direto nas empresas de BaaS, “mas nosso modelo é muito mais eficiente. Ele aprova mais e com o pricing correto, então a empresa vai ganhar muito mais.”

“Também usamos agentes de AI para automatizar toda a operação, o que elimina a necessidade de ter centenas de pessoas conferindo documentos.”

Com um ano de vida, a Core AI tem cinco clientes e espera faturar mais de US$ 3 milhões este ano.

Um dos clientes é a Alude, um sistema de gestão para imobiliárias que usa a Core AI para criar sua esteira de crédito para um produto de antecipação de aluguel que eles criaram. 

A rodada de hoje é a segunda da história da startup, que já havia captado US$ 400 mil no ano passado, logo que o negócio foi criado. 

Os recursos serão usados basicamente para investir em time e aprimorar a plataforma tecnológica. Fernando disse que a startup não quer contratar muitos funcionários. “Queremos um time com poucas pessoas mas ultraqualificadas,” disse ele.