Como estabilizar uma economia? Os vencedores do Nobel têm a fórmula

Como estabilizar uma economia? Os vencedores do Nobel têm a fórmula

O Prêmio Nobel de Economia de 2026 foi para os economistas americanos Robert E. Hall e Michael Woodford, cuja pesquisa ajudou a formular políticas usadas para lidar com economias em crise.

Hall, um professor na Universidade de Stanford, e Woodford, que leciona política econômica em Columbia, desenvolveram a teoria de que crises econômicas precisam ser avaliadas através das decisões tomadas no nível micro, por famílias ou empresas, e que as soluções não surgem de análises top down da economia.

Os dois economistas são creditados por revitalizar o pensamento keynesiano elaborado no início do século XX. 

Segundo John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas do Nobel, graças aos dois economistas, o mundo está melhor preparado para “lidar com choques na economia, como crises de energia ou mudanças repentinas no consumo das famílias.”

A teoria começou a ser desenvolvida por Hall em 1978, anos após o primeiro choque do petróleo, quando os bancos centrais tiveram dificuldade para combater a alta inflação global. 

Segundo Hall, as decisões de consumo das famílias são um indicador perfeito de suas expectativas para a economia – e o governo deveria se balizar nisso para buscar soluções.

Woodford também mostrou que os bancos centrais podem estimular ou reduzir a atividade econômica ajustando as taxas de juros, e não apenas pela quantidade de dinheiro em circulação.

O modelo se baseia na ideia de que famílias e empresas tomam decisões de acordo com o que acreditam que vai acontecer no futuro. Assim, quando governos comunicam seus planos econômicos – através de anúncios de forward guidance –, eles podem influenciar as expectativas e consequentemente ajudar na condução da economia.

A dupla também difundiu o conceito de inflação persistente, quando as mudanças de preços ficam defasadas em relação às mudanças na demanda, e também o conceito de hiato do produto, que mede o tamanho da pressão da demanda e a eficiência com que os recursos estão sendo usados. 

A teoria foi colocada em prática durante a crise financeira global de 2008, quando os “forward guidances” dos agentes econômicos americanos foram importantes para conter o temor de uma crise prolongada.

“Essa foi uma parte importante da resposta de política econômica nos anos a partir de 2009, e acho que de fato contribuiu para uma melhor estabilização,” Woodford disse ao aceitar o prêmio.