A Ultrapar acaba de reportar um crescimento acima de um consenso de mercado que já era construtivo.
No quarto tri, a dona dos postos Ipiranga e da Ultragaz viu o top line chegar a R$ 38 bilhões, um crescimento de 7% em relação a um ano antes. O consenso apontava para uma receita de R$ 35,3 bilhões.
No acumulado do ano, a empresa faturou R$ 142,5 bilhões, também uma alta de 7%.
O CEO Rodrigo Pizzinatto disse ao Brazil Journal que a Ultrapar foi beneficiada por um resultado mais forte na Ipiranga (que cresceu 6% no tri) – muito por conta do cerco aos postos ilegais e devedores contumazes.

“Teve uma evolução grande no combate à ilegalidade, mas ainda tem medidas importantes para a gente seguir nesse caminho, para permitir um mercado competitivo e justo,” disse Pizzinatto.
A Ultrapar também reportou seu melhor EBITDA ajustado recorrente para um quarto tri: R$ 1,7 bilhão, um avanço de 36% em comparação ao mesmo período de 2024.
Além dos melhores resultados de Ipiranga, a Ultragaz conseguiu aumentar os repasses de inflação e teve um mix favorável de vendas – o que compensou a queda de 2% no volume vendido.
No acumulado de 12 meses, o EBITDA recorrente da Ultrapar subiu 15% no ano passado para R$ 6,2 bilhões.
Já o bottom line veio abaixo do consenso. A empresa reportou um lucro líquido de R$ 256 milhões, contra um consenso de R$ 470 milhões.
A queda – de 71% ano contra ano – é explicada tanto pela base comparativa com o quarto tri de 2024 (quando a Ultrapar obteve créditos fiscais extraordinários) quanto pelo impairment de R$ 226 milhões da venda da operação de navegação costeira da Hidrovias do Brasil para a Norsul, anunciada em novembro.
“Excluindo esse efeito da Hidrovias e alguns ajustes contábeis, o lucro teria ficado em torno de R$ 450 milhões,” disse o CEO.
A Ultrapar também anunciou um investimento total de R$ 2,6 bilhões para 2026, em linha com o realizado no ano passado. Do total, R$ 1,1 bilhão será destinado a projetos de expansão, e outro R$ 1,6 bilhão para investimentos de manutenção.
A Ipiranga vai receber R$ 470 milhões para acelerar o embandeiramento de postos, assim como o fortalecimento da infraestrutura logística e do segmento de TRR – terceiros que compram combustível da Ipiranga e entregam diretamente para clientes como fazendas, indústrias e transportadoras.
Já a Ultragaz terá R$ 255 milhões para aumentar a captação de clientes, expansão de energias além do GLP e incremento da infraestrutura em novas regiões.
No caso da Ultracargo, a Ultrapar prevê expansões nos complexos de Suape e Itaqui de 45 mil m³ e 42 mil m³, respectivamente.
Por último, na Hidrovias, a Ultrapar quer aumentar a capacidade modular do corredor Norte, além de fazer investimentos pontuais em projetos para ganhos de produtividade.
Mas o CFO Alexandre Palhares diz que os R$ 1,5 bilhões em investimentos em manutenção também podem trazer ganhos de rentabilidade para a companhia, mesmo não aumentando a capacidade atual.
“Por exemplo, uma parte importante do investimento da Ipiranga será dedicado para a troca de plataforma e tecnologia, que vai melhorar a rentabilidade nos próximos anos,” disse Palhares.
A alavancagem da Ultrapar se manteve em 1,7x. Segundo Pizzinatto, excluindo o efeito da distribuição de R$ 1 bilhão de dividendos anunciado no fim do ano passado, o número teria ficado em 1,5x.
Por isso, a empresa continua de olho em oportunidades, disse o CEO.
Além disso, o mercado especula uma potencial venda da operação da Ipiranga, além do recente movimento de aquisição de ações da Rumo. O CEO disse que “não comentamos rumores ou especulações de mercado.”
A ação da Ultrapar sobe 59% nos últimos doze meses. A empresa vale R$ 28,5 bilhões na Bolsa.











